Leitura de férias, para
todos os paladares, com ou
sem companhia feminina

Como faço todos os anos, nos meus sonhados 48 dias de férias, levo coisas importantes para a praia: dezenas de latas de cerveja, uísque irlandês, a mais recente e jovem namorada e livros, muitos livros. Este ano, fiquei sem o talvez item mais importante, a namorada. Para compensar, aumentei a cota de livros, tentando esquecer meu fracasso momentâneo com o sexo oposto. Um amigo, poeta concretista e homem do mundo, me sugeriu alguém do mesmo sexo. Mas entre um homem e um livro, escolho o livro, se me entendem.
Se o paciente leitor de minha bissexta coluna gosta do que escrevo, então devo deduzir que gostará também do que leio. Isso posto, permitam-me sugerir, para todos os amantes da leitura de férias, quatro livros (na verdade, minha mala tem bem mais que isso, pois, sem companhia feminina, o jeito é ler) que podem fazer um prazer literário e cultural de suas férias. Vamos a eles:

O LADO INCONFESSÁVEL DA REALEZA, de Paul LeFornage Roxbury. Uma surpresa e uma delícia esta denúncia, impagável e extensa (são 1.764 páginas), do escritor franco-britânico Roxbury, sobre os bastidores das famílias reais de cinco países europeus. Basta dizer que um famoso príncipe, que em breve se tornará rei, tem um diário secreto em que afirma que já dormiu com 435 mulheres e 59 homens. Mas ele é café pequeno perto de sua prima, uma jovem da realeza italiana que, aos 27 anos, garante que já dobrou as façanhas sexuais do príncipe!

VOCÊ É O QUE VOCÊ É, de Duílio Johnson Cardim. O famoso guru brasileiro da auto-ajuda (ele já vendeu em todo o mundo 58 milhões de exemplares somente de seu "Não Seja o Que Você Não É") aborda em sua nova obra dois lados da natureza humana, a bondade e a renúncia, e garante que, se você os praticar a sério, e em extremos, será um novo homem. No capítulo referente à mulher, Cardim defende, de forma um tanto quanto marota, que a felicidade está em dar, dar, dar.

UM AMOR BEM MAIOR QUE A ETERNIDADE, de Emily Gaspard Sottise. Ficção adocicada, às vezes amarga, com mais de mil páginas, quase todas fácil de digerir, sobre o tumultuado romance entre a insaciável Condessa Marie Lèche-Botte Chenile e o cavalariço real Jean-Marie Aisselle, de apenas 14 anos. A relação entre os dois e a descoberta de tudo pelo Rei Chenile chegou a abalar o império austro-húngaro.

O MAIS ENGRAÇADO DOS PAPAGAIOS, Volume 15, de Inácio Lula Berxoini. Em sua nova obra sobre o tema, o humorista, político e sociólogo Berxoini (cujo verdadeiro nome é Hernando Henrique Cardoso) aborda nada menos que 140 piadas tendo papagaios como tema. Os livros anteriores eram sobre papagaios americanos, iraquianos, russos, italianos, franceses e portugueses. Este, talvez o melhor da série, é sobre papagaios brasileiros, ou melhor, de Brasília.