Mulher de 68 anos
engravida de marido
falecido há três décadas

Caso a cientista porto-riquenha Dolores Del Pilar Acedo, 68 anos, consiga levar a termo sua gravidez de sete meses, em fevereiro próximo, com o nascimento do filho, o mundo científico estará comemorando um dos maiores feitos deste início do século XXI. A informação foi prestada em dezembro último, e com exclusividade ao SacolãoBrasil, pelo Dr. Frank Gold Stein, Chefe do Setor de Reprodução Humana Assistida da Universidade Johns Atkins, em Baltimore, nos EUA. De acordo com o Dr. Stein que, por razões de natureza ética, só agora pode divulgar o nome de sua paciente, "a gravidez da Profa. Acedo constitui caso raríssimo e quase inédito no mundo Ocidental".

Explicou que ela é catedrática aposentada da Universidad de Confrey (San Juan, Porto Rico), onde ministrou aulas de Física Experimental e foi responsável pela montagem e operação do Laboratório de Criogenia - ramo da Física que estuda a produção e manutenção de temperaturas extremamente baixas em sistemas, e do estudo das suas propriedades físico-químicas. Pioneira no emprego do nitrogênio líquido para a conservação de sêmen bovino e humano, já que corpos vivos são conservados por longo tempo a temperaturas próximas a - 180º C, ela própria se beneficiaria, no futuro, do desenvolvimento tecnológico por ela idealizado. "As pesquisas da Profa. Acedo - explicou o Dr. Stein - foram de tal relevância que, no início da década de 60 do último século, seu nome foi sugerido para concorrer ao Prêmio Nobel de Física". Finalista por quatro anos consecutivos, deixou de concorrer em 1965 quando uma fatalidade marcou indelevelmente sua meteórica carreira de notável pesquisadora.

"Naquela época", informou seu assistente de pesquisas e atual Reitor da Universidad de Confrey, Hector Buñuel Olvidado, "a Dra. Dolores perdeu seu marido num acidente automobilístico. Tratava-se do bem-sucedido empresário Alejandro Peralta, com quem teve três filhos. Ocorreu, contudo, um acontecimento absolutamente inusitado. Para testar a eficácia do equipamento por ela própria projetado, pouco antes da morte de seu marido conservou num tubo de ensaio o sêmen dele pelos 38 anos que se seguiram ao seu falecimento".

Falando ao SacolãoBrasil, a cientista disse haver optado pela fertilização in vitro (ou seja, a realizada em meio artificial, em oposição a in vivo, que significa "no corpo vivo"), assistida pelo Dr. Stein e equipe, pelo fato de seus três filhos já haverem constituído família e que agora sente falta de uma companhia pelas próximas décadas de sua vida.

Além de considerar excepcional o fato de sua paciente haver engravidado aos 68 anos de idade, de um pai falecido em 1965, o que surpreende o Dr. Stein são as condições de saúde do feto que, aos sete meses de gestação, apresenta parâmetros biofísicos absolutamente normais. "Ultra-som recentemente realizado no abdômen da mãe, revelou tratar-se de criança do sexo masculino, com previsão para nascer de parto normal, peso aproximado de 4,5 quilogramas e 60 centímetros de comprimento", esclareceu. Perguntado sobre os riscos decorrentes de parto normal, sobretudo em virtude da idade da parturiente, o Dr. Frank Gold Stein respondeu jocosamente: "- Só espero que, ao dar a luz, a Dra. Dolores não reedite o drama ocorrido com a mãe dela, que morreu de complicações decorrentes do parto, quando a própria cientista nasceu, em 1935. Naquela época, a mãe dela contava com 93 anos e como ainda não havia fertilização assistida, a concepção da criança processou-se in vivo com a ajuda do pai da Dra. Acedo, que contava então com 102 anos de idade", concluiu.

(Tradução: Alonso de Morcilla y Zúñiga)


* Cornelius Klein, professor-doutor em criogenia e pioneiro no uso do ultra-som computadorizado, é, ele próprio, fruto da fertilização in vitro, após oferecer-se como cobaia em experiência pioneira em sua cidade natal, Tartu, na Estônia, em 1943.