|
A
semana passada fui um dos convidados do popular Wander Joe Almeida
em seu programa "Quando a Notícia é um Show",
na TV Noite e Dia. Pra começar, não sabia que o
programa é um dos campeões de audiência no
horário da 14h47, o que quer dizer que fui mais do que
visto, é ou não é? Parabéns, Wander.
O tema da minha entrevista, que realmente me pegou de surpresa,
já que o simpático e inteligente Wander não
me avisou antes sobre as perguntas que faria, é o chamado
jabaculê. Pra quem não sabe, a expressão quer
dizer pura e simplesmente, suborno. As gravadoras de discos (será
que ainda existem? Os discos, não as gravadoras) e CDs
precisam promover seus contratados e o caminho mais fácil
e rápido, além de enviar seus produtos gratuitamente,
é soltar um dinheirinho para o pessoal do rádio,
TV e mídia escrita.
Claro que nem todos meus coleguinhas de imprensa entram nessa,
mas grande parte gosta que "molhem" a mão deles.
Molhar, leitores, é outra gíria engraçada,
quer dizer, eles embolsam dinheiro, tutu, money, real, entenderam?,
pra divulgar os contratados das gravadoras.
Pois bem, numa hora lá o entrevistador me botou contra
a parede logo de cara, perguntando o que eu achava do jabaculê
e se eu conhecia alguém do ramo da mídia que andava
com a "mão molhada". Que sufoco, caras!
Cá entre nós, conheço pelo menos uma meia
dúzia que há anos anda com as mãos "úmidas".
Mas não sou nenhum dedo-duro. Só adianto que, sabendo
ou não das sujeiras de suas gravadoras, nesse campo do
jabaculê, pelo menos dois cantores e três cantoras,
todos da nova geração, e filhos de pais famosos
na música, subiram na carreira graças aos benefícios
do velho e eficiente jabaculê. E na fama dos pais e mães.
Muitos deles, na verdade, são medíocres, mas a maior
parte do público engole qualquer coisa...
O Wander fez de tudo para que eu abrisse o jogo e soltasse alguns
nomes. Mas fiquei firme. No final do programa, eu disse que o
julgamento sobre o jabaculê é do público,
que vai comprar ou não os CDs dos seus ídolos. Mas
que foi um sufoco, isso foi!
|