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Papai
Noel perde emprego,
vítima da crise econômica
Por
Claus Aparecido dos Anjos
da nossa equipe de arquivistas
Ismael
Garrido é um dos milhões de brasileiros que precisam
de mais de um emprego para sustentar a família. O fim do
ano, que sempre foi para ele a época mais lucrativa, tornou-se,
de repente, outro motivo de preocupação. Funcionário
há 26 anos de uma multinacional americana, além
do emprego fixo, Garrido sempre ganhou bom dinheiro extra como
Papai Noel. Mas este ano, com a grave crise econômica, ele
precisou enfrentar filas e disputar com dezenas de outros candidatos
um trabalho que sempre esteve a sua disposição.
Na empresa americana onde trabalha, no departamento do pessoal,
Garrido ganhou o apelido de "Santa", que lhe foi dado
por um dos sócios americanos da empresa, e que é
abreviação de "Santa Claus", isto é,
Papai Noel nos Estados Unidos, por causa de sua barba branca.
Ele a deixou crescer porque assim dá mais autenticidade
ao personagem. Mas apesar disso, de vez em quando usa uma barba
artificial para ficar "mais parecido com aquele Papai Noel
de calendário", como explica.
"Durante mais de dez anos, eu fui Papai Noel oficial de uma
loja lá da zona leste", ele conta. "No começo
do ano, logo depois da posse do Lula, me ligaram cancelando o
trabalho por questão de economia. Durante oito anos, eu
ganhava 480 reais por 25 dias de trabalho, seis horas por dia,
sentado numa cadeira com crianças chatas no colo, com cachorros
(claro que eles ficaram assustados e me molharam todo) ou andando
pela loja vestido numa roupa quente e soltando aquele risinho
típico do Papai Noel", explica, imitando o riso: "Hô,
hô, hô". Ele confessa: "Você nem imagina
a falta que esse dinheirinho extra vai fazer".
Até
diabo ele foi
Segundo
conta, nos 12 anos em que foi o Papai Noel oficial da loja e de
vários outros eventos, desde aniversários de crianças
até grandes recepções de fim de ano, faturava
um bom dinheiro, que dava folgado para manter a família,
"eu, a mulher, cinco filhos, a sogra, dois cachorros e oito
passarinhos", como explica. Então, os problemas surgiram
já em fevereiro deste ano, quando perdeu o cargo na loja.
"Em agosto, quando começa a temporada de seleção
de empregos de Papai Noel", Garrido diz, "tive que enfrentar
dezenas e dezenas de candidatos, todos na pior. Se você
quer saber, apareceu até um paraguaio, um velhinho de barba
branca, que acabou vencendo 45 candidatos brasileiros, eu entre
eles".
Ele continua: "Com a crise e o excesso de Papai Noel no mercado,
tive que fazer o que aparecia. Numa festa num bufê infantil,
fiz até papel de diabo. Era uma fantasia horrível,
preta, rasgada, com dentes grandes e dando uma gargalhada sinistra.
Me pagaram 60 reais por cinco horas de trabalho. As crianças
nem ficaram com medo, um vexame pra mim. Mas o que é que
vou fazer? Tenho que ganhar a vida, não? Só espero
que a gente do governo tome conhecimento desta crise que não
respeita nem o Papai Noel".
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