Estamos enfrentando
o Sexo Zero

Para mim e minhas amigas, que vivemos daquilo que um amigo gozador chama de "o amor que não ousa dizer seu nome", o mês de novembro só perde em agitação para a época do Natal e do Carnaval. Este mês é quando a gente tem que faturar bastante para pagar os vestidos caros e todas as outras despesas que caem na nossa cabeça no fim do ano.

O motivo é que a gente precisa ficar superproduzida, chique e bonita demais para enfrentar as festas, recepções, almoços, jantares, inaugurações e muitos outros convites que recebemos na época do Natal. Vocês nem imaginam como a gente é procurada, e não é por causa "daquilo" não. Muitos homens famosos, importantes ou não, conhecidos ou desconhecidos, pagam uma nota só para exibir a gente. Sabiam dessa?

No ano passado, um empresário muito, muito conhecido, me pagou dez mil reais só para eu ficar ao lado dele durante um coquetel. Eu tinha que de vez quando dar uns beijinhos inocentes nele em público, só para mostrar que eu estava apaixonada e ele era um grande conquistador.Que vaidade, não? Mas não estou nem aí. Por dez mil eu faço até "aquilo" na frente de todo mundo.

Este ano, com essa crise danada, todo mundo de bolso vazio, recebi até agora só dois convites para o fim do ano. Um dos convites é de um mágico amigo meu, que me quer como assistente numa festa beneficente. Eu disse não, pois mágico não agüenta nem com ele, quanto mais com uma assistente. O outro convite é de um famoso figurão do governo. Acontece que o homem é gay, bem enrustido, e as festas dele só têm bichas e lésbicas. Se o dinheiro for bom, eu encaro. Mesmo porque, minha querida amiga Lucinda Bright , que tem um humor ótimo, disse que a coisa anda preta mesmo e nós, das calçadas da vida, estamos enfrentando o "sexo zero".