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Meu
neto, o Diego, que eu chamo de Diguinho, tem 19 anos e está
estudando para ser advogado e nas horas vagas tem um conjunto
de rock, cujo nome é The Best Fucks (eu acho que é
assim que se escreve, não?). O pai dele, o meu genro, que
a gente em casa chama de Diegão, passou uma vez apertado
com um advogado e desde então acha que todos eles estão
querendo enganá-lo. Quando meu genro soube que o filho
tinha um conjunto de rock, ficou irado e disse na cara do garoto:
"Pelo amor de Deus, duas desgraças juntas! Advogado
e roqueiro! Ah não, essa é demais pra mim!"
Meu netinho ficou magoado com o destempero do pai e veio até
a mim para um consolo.
É nesses momentos que as avós, quase sempre esquecidas
num canto da casa (desculpem o desabafo), ficam de peito inchado
quando o neto, duas gerações depois, procura um
colo amigo pra abrir o coração, e logo o colo da
vovó.
Nessas ocasiões, aprendi muitos anos atrás, o melhor
caminho é a verdade.Aliás, não só
nesses momentos, mas em todos eles, a verdade é a única
saída.
Dei uma bronca no meu genro pela tolice que falou e por ter deixado
o Diguinho aborrecido daquela maneira e afirmei que também
eu havia ficado decepcionada com o que disse, pois lembrei-lhe
que meu falecido marido era também advogado!
Mas cá entre nós, que o meu genro não saiba,
o meu marido, o Lafaiete, que eu chamava afetuosamente de Etinho
(ele odiava o apelido), não morria de amores pela profissão
que abraçou. Dizia que foi imposição do pai,
também advogado, e a vida toda sonhou em ser agrimensor.
Que coisa, não? Será que foi por causa do avô
que meu netinho decidiu estudar para ser advogado? Sabe Deus!
Relembrando tudo isso, decidi usar a solução que
a minha velha e querida amiga Isabelita Bongiorno (quantas lembranças,
não, Belita?) usa toda vez que a situação
se azeda: "Pense sempre que a coisa podia ser pior",
ela diz. Então, lembrando meu falecido marido, usei o conselho
dela: ainda bem que, além de advogado, ele não foi
roqueiro também.
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