Produção de amendoim
transgênico provoca
polêmica internacional

Com o objetivo de aprimorar cada vez mais seu conteúdo editorial e oferecer ao leitor um jornal de qualidade, o SacolãoBrasil conta nesta edição com a estréia de Cornelius Klein, um dos maiores especialistas mundiais em todos os ramos da ciência. Nascido em Portugal, mas naturalizado servo-croata, e vivendo atualmente no interior da Inglaterra, ele é escritor, doutor em Física Quantum e Bioquímica pela Universidade de Princepton, em Manitoba, Dinamarca, e publica sua coluna De Olho na Ciência em 152 jornais de todo o mundo. A par de sua intensa atividade científica, Klein é apaixonado pela natureza e tem como hobby a criação e observação de pássaros. Em sua coluna de estréia em nosso jornal, ele aborda tema atual e polêmico, a produção de amendoim transgênico.

Causou estupefação entre os membros da comunidade científica internacional e integrantes dos mais expressivos movimentos mundiais de preservação do meio-ambiente as acaloradas discussões havidas no decorrer da primeira quinzena de outubro último, envolvendo o governo de Burúndia Fasso e os projetos globalizantes da controvertida multinacional Tonsaint. Esta última, produtora do defensivo agrícola NewCatch-up, ao qual sementes de amendoim são resistentes. A polêmica excedeu os limites geográficos daquela pequena ilha da Oceania, estendendo-se à combativa Redpeace, Ong (organização não-governamental) sediada em Ulan Bator, na Mongólia.

A polêmica questão é de absoluta relevância para a economia mundial, de vez que 73,49% do amendoim consumido e comercializado em todo o planeta provém de Burúndia Fasso. E esta nação, por sua vez, lastreia 98% de seu PNB (produto nacional bruto) na venda de sua safra de amendoim a compradores internacionais. Assim, para as autoridades burundianas, o plantio de amendoim transgênico "poderia representar severa queda na receita interna do país, sobretudo pelas restrições que a comercialização do produto sofreria nos países resistentes à transgenia, que relutam em comprar produtos primários de efeitos ainda desconhecidos para o homem", declarou o mandatário daquele país, Ignatius Octopus, por intermédio de seu porta-voz, o jornalista Andrejas Tailor Made.

A esquiva de Octopus em falar diretamente com o enviado especial do SacolãoBrasil e usar seu porta-voz, parece justificar-se pela infeliz declaração do presidente que, em coletiva à imprensa no último dia 23 de outubro, asseverou que "a questão dos transgênicos constitui assunto de grande complexidade, de vez estarmos tratando de produtos de higiene e limpeza usados, sobretudo, pelos transexuais".

Terminada a coletiva, o ministro de Planejamento daquele remoto país, Tony Shanty Town, tentou atenuar a canhestra e bombástica declaração do presidente Octopus, penitenciando-se em nome do mandatário que, segundo ele, "estava extenuado pelas incansáveis tarefas da batalha pela Campanha Fome Nula (sim, lá também se enfrenta esse tipo de projeto governamental), cujo pressuposto fundamental é permitir que nenhum burundiano deixe de incluir um mínimo de 100 gramas de amendoim em suas dietas diárias, notadamente no jantar. Justificou o lema da campanha lembrando que "por ser país pobre, despovoado e com baixa densidade demográfica, o ambicioso projeto governamental pretende restringir o acesso dos aborígines desta região do globo. Sobretudo os pigmeus e bosquímanos", concluiu.

O representante da Comissão de Direitos Humanos, N'goro Chest Dwarf, explicou que a medida do governo burundiano visa, sobretudo, coibir o chamado turismo sexual. Segundo ele, "após cumprir seus roteiros turísticos, os pigmeus e bosquímanos voltam a atacar novamente suas vítimas para devorar-lhes a palma da mão, a planta dos pés e a maçã do rosto das vítimas, visto tratar-se de tribos canibais e vegetarianas".

Procurados pela reportagem, os representantes da multinacional Redpeace não quiseram se manifestar. Cientistas presentes ao evento, contudo, que não se identificaram, foram unânimes em assegurar que a maior resistência do governo burundiano ao plantio do amendoim transgênico foi a não-inclusão, na célula-tronco do amendoim, da aflatoxina, levedura de reconhecido poder afrodisíaco. Segundo denúncias, em seu lugar foram incorporados compostos modificados e constituídos por células desenvolvidas em laboratórios e cultivadas em solução salina de nitrato de sódio, popularmente conhecido pela denominação de salitre do Chile.

Colaborou no texto a Professora Mary Jane Rubberband, que de 1985 até 2002 foi a mais importante conselheira científica de Jack Ass Buch,ex- Subsecretário de Assuntos de Ciência do governo americano.

(Tradução de S. Lobo Carneiro)


* Cornelius Klein, que quase ganhou o Prêmio Nobel de Bioquímica em 1952 (o contemplado foi o norueguês Stellan Sur-Torsk) , é também historiador especializado em África Setentrional. Foi um dos pioneiros na clonagem de raízes da gramínea africanus inguina nanus, única fonte de alimento de algumas tribos africanas, experiência que décadas depois levaria ao desenvolvimento dos transgênicos.