Não perco nunca as paradas gay

Como faço todos os anos, fui prestigiar meus amigos gays e desfilei com eles na parada que aconteceu em São Paulo no mês passado. Gente, que emoção! Calcularam que apareceram mais de 800 mil pessoas, mas eu acho que teve muito mais, coisa aí de 1 milhão pra cima. Foi mesmo um espetáculo e só quem foi lá sabe a emoção que causou na gente.

Fui com duas amigas "do ramo" e três amigos, que gostam dos apelidos que inventaram: Delivery, Fastfood e Queen Anne. Estávamos todos fantasiados, superproduzidos e ganhamos muitas palmas, se vocês querem saber.E olha que fantasia bonita não faltou no desfile. Eu dei uma boa mexida numa fantasia que eu usei no carnaval do ano passado e acabei virando uma Cleópatra que chamou mesmo a atenção.

O que tinha de gente conhecida não está escrito, não só assistindo e aplaudindo, mas desfilando também. E me impressionou a quantidade de homens e mulheres que eu conhecia há muito tempo e que de repente saíram do armário e sei lá mais de onde e assumiram de vez. A surpresa maior, que me deixou de queixo caído (e olha que já vi quase tudo nesta vida!) foi um antigo namorado, uma paixão daquelas que deixa a gente sem dormir, um cara lindo, verdadeiro atleta na cama, e que flagrei na parada totalmente assumido, pois estava fantasiado de rumbeira, com maracas e tudo! O outro foi um conhecido e importante político, velho e fiel cliente meu dos tempos de Salvador, que estava escondido numa máscara e numa roupa de Luz Del Fuego (nem todo mundo assume, minha gente) e só reconheci porque me deu um beliscão e, com voz de falsete, disse quem era.

É por isso que nunca perdi uma parada gay! Primeiro, por causa da turma legal, colorida e estranha que a gente encontra, e depois pelas surpresas, algumas de deixar a gente de boca aberta.