Americano é "people"
esquisito, não?

Lambert e Bruce, casal de americanos que conheci o ano passado num bar gay de Nova York (não, os dois não são gays), estiveram no Brasil para uma conferência sobre vinhos e aproveitaram para me visitar. Foi uma reveladora surpresa, pois são donos de dois restaurantes, um em Nova York e outro em Fargo, Dakota do Norte. Conhecem o ramo como poucos e me ensinaram a ver com outros olhos o circuito noturno dos bares da cidade,minha especialidade há mais de 23 anos. O que aprendi com eles não está escrito em nenhum Guia Michelin.

Nossa primeira visita foi ao Barbicha, a nova casa noturna do meu velho amigo Sandoval Starr. Sabe o que nossos americanos disseram? Só isto: "trash". Deram nota zero, desde a cozinha até o público.

Em seguida, fomos ao muito lindo Star Bust, que o competente Gaston Buonfiglio fundou 13 anos atrás e se tornou desde então um dos prediletos da turma descolada e deslocada (hé, hé) da noite. Bruce e Lambert entraram por uma porta e saíram pela outra, sem dar nota alguma. Que coisa, não?!

Lá pelas três da manhã adentramos o sofisticado Pussy Galore e fomos recebidos por Mimsy LaBelle, eleita a mais bela hostess da vida noturna da cidade. Meus amigos foram mais cordiais. Beijaram a mão de Mimsy, perguntaram pela toalete e desapareceram por umas boas duas horas. Minha amiga estranhou também, mas, discreta e fina como sempre foi, não fez qualquer comentário.

Pensei que tivessem ido embora para o hotel, mas não. Achei-os no Pricks and Dykes, meu bar predileto, para onde fui às cinco da manhã.

Lá estavam os dois, já bem alegrinhos, rodeados de rapazes e algumas moças. Quando me viram, me saudaram e gritaram, num português torto: "Brasil muito very nice. Nota cem para todos, all right!" Êta people esquisito o americano, não?