Vamos construir
celas civilizadas para
nossos condenados

Em vez de ficar eternamente criticando o governo, por não encontrar um local adequado para aprisionar os traficantes perigosos, três arquitetos, eu próprio entre eles, resolvemos oferecer nossa contribuição às autoridades. Trata-se, por enquanto, de um projeto apenas, mas que irá se desenvolver e com muita certeza servirá de modelo para todas as prisões de segurança máxima no país.

Em primeiro lugar, estudamos o impacto da região sobre o biótipo do prisioneiro. Isso é importante, pois a temperatura (calor ou frio extremos) tem decisiva influência no comportamento dos condenados. Essa tese, por sinal, não é nossa, foi desenvolvida durante a Primeira Guerra Mundial pelo austríaco Ludwig Böse-Kamel, tendo como cobaias os prisioneiros ingleses e franceses.

Eu conto isso para mostrar que levamos em conta todos os aspectos de uma cela de prisão, seja ela de máxima ou mínima segurança.

Outro colega de nossa equipe, o ítalo-brasileiro Giovanni Buconero, está entre as grandes autoridades mundiais em arquitetura de pequenos espaços e nos deu sua contribuição sem cobrar um centavo! Baseados em suas experiências e pesquisas, concluímos que o espaço ideal para uma cela de prisão de segurança máxima, levando-se em conta que será ocupada por dois condenados, é de oito metros quadrados, com duas camas, uma pequena janela, vaso sanitário e uma pia.

Agora vem uma surpresa: Edivaldo Waraqa Qatzir, nosso especialista em paisagismo, ofereceu sua contribuição também. É dele a ousada idéia de colocar plantas decorativas ou vegetação especial nas celas, para que os prisioneiros (os de pequena e média periculosidade apenas) possam se sentir em casa, e não em uma cruel e indiferente prisão.

Em linhas gerais, são essas as características fundamentais do nosso projeto, que poderá mudar para sempre a construção de penitenciárias e prisões em nosso país. Claro que aceitamos sugestões. Mas, em princípio, temos certeza de que, como disse o grande arquiteto croata Milovan Repa Biber, por nós consultado, "trata-se de uma revolucionária mudança no tratamento social e punitivo dos condenados pela lei. Nem mesmo na Bósnia conseguimos tais avanços!"