Machões mineiros fundam
clube "Silicone Não Entra"

Por Mara Condita Liscio
Subeditora do Grupo de Trainees

Jairo Rieder Maschio, um consultor de empresas de 43 anos, quatro vezes divorciado, é o fundador da entidade mais comentada (e também alvo de não poucos protestos) de Belo Horizonte, o Clube Silicone Não Entra. O objetivo primordial do clube, segundo Maschio, é conscientizar as mulheres, "mas somente as belas, que qualquer coisa artificial que enfiem no corpo vai roubar a beleza e a autenticidade natural com que nasceram, cresceram e se tornaram atraentes e desfrutáveis".

Maschio explica que, nos últimos anos, tornou-se uma tarefa impossível para os homens encontrar uma mulher, jovem ou não, que mantenha no corpo os atributos que a natureza lhe deu ao nascer. "O silicone tornou-se talvez a maior praga , a maior dissimulação da história do relacionamento entre homens e mulheres nas últimas décadas", ele acusa.

"Você vê uma mulher ou uma garota desfrutável na rua, ou num bar, perde tempo e dinheiro para conquistá-la e, quando ela tira a roupa, o que acontece? É uma enganação, um monte de silicone implantado em todas as partes do corpo, da testa ao dedão do pé", Maschio afirma indignado, e completa: "Se houvesse para nós defesa do consumidor contra essas mulheres artificiais, que em público nos vendem uma coisa e, no quarto, exibem outra, os homens ganhariam todas as causas".

Mulheres divididas

Fundado o mês passado por Maschio e mais cinco amigos, o Clube Silicone Não Entra já conseguiu, em pouco tempo, nada menos que 130 adeptos e associados,entre eles, 14 mulheres. Uma delas, Wanda Scollato, uma bela professora de 27 anos, diz que as críticas que o clube vem sofrendo, principalmente femininas, "são típicas de quem sabe que não tem nada autêntico no corpo, é tudo artificial, montes e montes de silicone, botox e outras bobagens que turbinam o corpo, mas também fazem dele uma mentira, nada mais".

Para uma mulher entrar no clube, participar de reuniões e protestos públicos, tem de passar por rigorosos testes físicos, dirigidos pela enfermeira Gracinda Lovatto, de 39 anos,mas, segundo garante, "com tudo no lugar, tudo meu de nascença, dos pés à cabeça". Um grama de silicone já desqualifica a candidata a fazer parte do clube. Seios, coxas, traseiro,costas,rosto, tudo passa por minuciosos exames, para determinar se a candidata é "autêntica mesmo e bonita por natureza, digna de pertencer ao clube", explica Gracinda.

Maschio provoca: "Não quer dizer que nós não gostamos de seios, traseiros e outros atributos fartos e exuberantes. Nada disso.Muito pelo contrário.Mas desde que sejam naturais".

Para a jornalista Mirtes Rottame, de 41 anos, o clube de Maschio é novo exemplo de machismo caricato e ofensivo, "mais uma iniciativa a fazer de Belo Horizonte e desses machões ultrapassados exemplo de gozação e piadas em todo o país". Maschio contesta a crítica e diz: "Quem sabe se, incentivadas pela filosofia do nosso clube, as brasileiras não abandonem essas bobagens e voltem a ser o que eram antes, lindas, desfrutáveis, naturais como chegaram ao mundo".