A guerra levou
embora meus fiéis leitores

Escrevo minha coluna semanal para o Weekly's News com a sensação de que escrevo para ninguém. Da população de 1.500 habitantes daqui de Porksville, apenas meia dúzia deve botar seus olhos em meus escritos. O resto foi para a guerra inventada pelo nosso ilustre presidente Bush. Vidas jovens serão ceifadas, como já estão sendo. Eu, que cobri a Guerra 14-18, sei do que falo.

Resta-me, assim, nessa modorra da redação - com o tipógrafo esperando impacientemente meu artigo - fazer uma comparação entre os Estados Unidos e o Brasil, país este em que sou especialista.

Comecemos pelo nosso presidente, George W. Bush. De mente brilhante, nunca perdeu nenhum de seus dedos em tornos, formando-se em Direito por correspondência na Universidade do México. Vindo de uma família de políticos, que no século retrasado combateu índios, sem mais nem menos, alegando que tinham flechas químicas de dizimação em massa, arrastando consigo os ingleses que mal acabavam de serem expulsos, e mais alguns espanhóis, recrutados na América Central, já que, lá, nada mais havia para dizimar em se tratando de nativos. Seu avô, Rodwald W. Bush, lutou na Primeira Guerra Mundial. Era assessor da presidência e especialista em armas químicas. Mas, viciado em charutos, recusou-se a colocar a máscara contra gases durante um ataque inimigo e sucumbiu em meio à fumaça mortal.

Daí, esse ódio contra armas químicas, que foi muito bem destilado pelo filho, George W. Bush, que uma vez já tentou acabar com o Saddam Hussein na Guerra do Golfo. Não conseguiu. Temos agora, então, numa saga louca, George W. Bush, tentando acabar de vez com o ditador iraquiano e suas malditas armas químicas, encontradas pelos inspetores da ONU em cada lata de lixo das esquinas de Bagdá. Em frente a uma televisão, provida de joystick, comanda toda a força tarefa que avança incontinenti em direção à capital iraquiana. Vez por outra, com maquiadores e cabeleireiras, aparece na televisão exortando o fim do satanás e o mal que vem do Oriente.

E aquele barbudo, como era chamado, terror dos militares, burguesia e elite empresarial em tempos de antanho? De família simples do Nordeste brasileiro, sobrevivente do massacre de Canudos, sem lenço sem documento, Luiz Inácio Lula da Silva chegou à capital do Estado de São Paulo, comeu o pão que o diabo amassou e - vício de subnutrido - voltou ao velho hábito, segundo suas últimas declarações. De uma pastelaria onde trabalhava, ainda menino, viu Gil e Caetano comporem Sampa , no cruzamento da Ipiranga e Avenida São João. Aprendeu a lidar com tornos e outros ofícios. Tendo montado muitos fuscas, foi um dos que assoprou no ouvido de Itamar Franco, presidente do Brasil, muitos anos depois, a idéia de ressuscitar o besouro, como era chamado o carrinho, para gáudio de saudosistas que nele trocaram favores com mocinhas no tempo da Tropicália. Berrou tanto em megafones que, roufenho, e sem nenhum diploma, chegou à presidência do Brasil.

E berra agora com o nosso presidente Bush.

Que ele não ouça.


* Stan. O. Laurel, brasilianista, republicano, membro fundador do grupo conservador Filhos da Revolução e especialista em guerras em regiões áridas e semi-áridas, é de opinião que o último grande presidente americano foi Warren Gamaliel Harding.