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Sim,
darlings, já estive no Oriente Médio, cobrindo
um grande show de moda para a revista inglesa Beautiful and
Strait Woman. Foi em 98, quando os ânimos não
estavam tão exaltados como agora e Bagdá era calma
e civilizada. O evento foi bancado por três grandes companhias
de petróleo, mostrando que, apesar dos críticos,
que vêem nos executivos internacionais do setor nada mais
que ambiciosos e implacáveis tubarões, preocupados
apenas com lucros, eles são pessoas civilizadas, dedicadas
à moda, à arte e à paz. Yes, sir.
O fashion show, que se chamou "How Wonderful, I'm
Out of Gas" (Que Beleza, Estou sem Gasolina), contou com
a presença dos mais famosos figurinistas internacionais,
o créme de la créme da moda de todo o mundo.Estavam
lá o marroquino Henry Lèche-Botte, o darling
dos darling, o haitiano Ferdinand "Joujou" Aisselle,
o americano Phil Dilbert Pussyfag (uma gracinha, gente!), com
muita certeza a mais promissora estrela da moda mundial, e o italiano
Guido Budino Cozze, muito orgulhoso por ter sido escolhido para
elaborar o vestido de noiva da princesa árabe Fatira Basal,
a herdeira mais rica do mundo, que vai se casar o ano que vem.
Um espetáculo maravilhoso, pago com os milhões de
dólares do petróleo, o show de modas iraquiano foi
montado em pleno deserto, perto da cidade de Basra, um dos berços
da civilização, segundo me contaram. De vez em quando,
uma tempestade de areia interrompia tudo, às vezes por
mais de duas horas, e todas as instalações tinham
que ser remontadas, pois o vento e a areia levavam tendas, passarelas,
camarins improvisados e até pessoas. Uma delas foi a herdeira
do trono, Bashira Gamal Hougrat al-Noum, arrastada como se fosse
um pedaço de papel e acabou sendo encontrada, apenas com
alguns arranhões, várias horas depois num oásis
no deserto.
Apesar desses contratempos, foi um sucesso em toda a linha, believe
me, querida leitora. E já estava tudo pronto para um
novo fashion show este ano, desta vez em Bagdá,
onde eu seria uma das juradas do segmento "A Jovem Moda Árabe",
que prometia revelar dezenas de novos talentos. Uma chance em
um milhão para quaIquer um ter a visibilidade de uma vida
inteira.Infelizmente, a guerra atrapalhou tudo. Lamentável,
não? É por essas e outras que as guerras são
odiosas.
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