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Tem
aumentado consideravelmente o número de cartas que recebo,
principalmente de jovens leitoras, queixando-se de que não
se livraram das dores de consciência e de complexos de culpa
por terem feito sexo com seus namorados ou com amigos e conhecidos.
Francamente, mocinhas! Vamos deixar disso, pois é um absurdo!
E digo isso, meio zangada, para cinco leitoras que me escreveram:
Zilá T., de Bauru, São Paulo; Mariazinha
Sem Amor, de Maranguape, CE; Mirtes Inconsciente, de
São Leopoldo, RS, Rosinha Culpada, de Cachoeira
de Macacu, RJ, e Maria Madalena, de Passa Quatro, MG.
De um modo geral, com apenas algumas nuances diferentes aqui e
ali, no ato sexual em si, todas essas moças se queixam
de que até agora não se livraram da culpa de terem
se entregado a seus respectivos parceiros. E isso cinco anos depois!
O caso que na minha compreensão merece atenção
maior é o da Maria Madalena, que é casada pela quarta
vez e se entregou ao cunhado, enquanto, na sala ao lado, o marido
dançava agarradinho com a amante. Um caso delicado, não
há dúvida.
Puxa, Maria Madalena, que história a sua, não é
mesmo?! A situação envolve mais do que uma eventual
traição de sua parte. É bem mais complexo.
Por esse motivo, estou enviando a você uma cartinha, bastante
pessoal, carinhosa e elucidativa.
E vou revelar um segredo a você e a todas as minhas leitoras:
caso idêntico aconteceu comigo, muitos anos atrás.
Foi em 1949, quando as relações sexuais entre homens
e mulheres (essa história de homossexualismo, aberto como
hoje, era impensável) eram quase tabu. E ai de quem ousasse
desafiar a moral e os bons costumes.Eu ousei, por causa de uma
paixão arrasadora, um grande amor, a quem me entreguei,
na flor dos meus 28 anos. E paguei por isso durante muitos anos.
Mas foi há milênios, queridas e indecisas leitoras.
Então, para terminar, tenho somente um conselho a todas
vocês: se tiverem mais de 18 anos, se amam o parceiro, ou
até mesmo se gostam apenas dele, façam sexo, de
preferência com camisinha. E parem com essas bobagens de
consciência e complexo de culpa.
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