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Eu
já estava com a fantasia prontinha e pretendia desfilar
numa das mais populares escolas de samba da cidade, que me convidou
para um lugar de destaque. Quem resiste a um programa desses?
A boba aqui recusou, acreditam?
Mas antes de me criticarem (quase que eu disse "me apedrejarem"...
Complexo de Maria Madalena, não?), vou explicar tudo, ou
quase tudo.
Duas semanas antes do Carnaval, um senador, velho conhecido meu
de Salvador, na Bahia, implorou que eu fosse com ele numa viagem
ao Caribe. Recusei na hora, sem pensar duas vezes! Viajar no Carnaval,
nem pensar!
Faltou pouco ele chorar pra me convencer. Fiz pé firme
e disse não e não.Então, com o jeito romântico
e cavalheiresco dele (e umas ofertas irrecusáveis de presentinhos
que toda mulher adora) acabou quase me convencendo. E finalmente
conseguiu, quando me confessou que tinha de sair do Brasil por
algum tempo, e bem depressa, pois "tem coisa feia atrás
de mim".
Há muito tempo eu conhecia aquela expressão do meu
querido senador e sabia o que queria dizer: ele se meteu em encrenca
e tem polícia ou justiça atrás dele. Nunca
perguntei qual era a dele, o que tinha feito de errado. Nunca.
Amiga é para essas coisas, não acham, meus anjos?
Foi assim que desisti do carnaval brasileiro e fui com ele para
o Caribe.
Pra dizer a verdade, quase não ficamos juntos, pois ele
não parou no hotel, estava sempre indo a um banco e voltando
correndo com um homem alto e bem vestido, e saíam outra
vez com uma maleta grande. Negócios complicados, eu imagino.
Mas não pensem que fiquei sozinha não.Nada disso.
A tal ilha se preparava também para o carnaval, só
tinha turista milionário, e muita gente bonita. Num dos
bailes, conheci um industrial árabe, que fez questão
de jurar que não era iraquiano, sei lá por que,
muito lindo, tem lá de idade seus cinquentinha , que me
levou para um monte de lugar maravilhoso e num jantar inesquecível
na suíte presidencial do hotel dele. Depois, foi uma loucura,
fomos nadar nuzinhos na piscina da suíte, que ocupa um
andar inteiro, tomando champanhe sem parar. Que carnaval coisa
nenhuma!
Vou voltar sozinha pro Brasil, depois de mais uma semana por aqui,
pois meu querido senador acha que a coisa ainda vai ficar muito
quente para ele por mais um mês ou dois. Depois conto mais
para vocês, queridinhos.
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