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Como
realizei meu sonho
de conhecer Fidel Castro
Por
Andy Uarrol
Coordenador
Se
você passou por uma experiência, ainda que breve,
positiva ou negativa, escreva para nós contando. Hoje publicamos
o relato de Ivanov Guevara Alvim, de Brasília.
Desde
muito jovem, quando ainda era estudante e militante do grupo de
esquerda Fiel Exército Unido de Fidel (o saudoso e atuante
FEUF), eu sonhava um dia em conhecer o invencível Fidel
Castro. Em 1981, cheguei a arrumar as malas para uma visita a
Havana, a convite do governo de lá, mas o governo militar
de cá, como se sabe, não via Cuba com bons olhos
e vetou meu velho sonho. Não desisti e passei a escrever
tantas cartas quanto conseguia para o grande estadista cubano.
No total, creio que enviei 1.258 cartas, com informações
sobre o FEUF, pedindo ajuda monetária, ideológica
e estratégica para o nosso grupo e, naturalmente, elogiando
os discursos feitos por Fidel em seu país ao longo de 30
anos.
Agora posso revelar um segredo há anos mantido em total
sigilo: eu era um dos raros brasileiros que recebia semanalmente
cópias dos discursos de Fidel Castro, entregues religiosamente
em minha casa por um portador cujo nome não revelo, por
ser figura muito conhecida na vida artística brasileira.
Pois saibam que, ao longo dos anos, acumulei nada menos que 234
mil páginas dos discursos do líder cubano, meu eterno
ídolo. Um tesouro inestimável, sem dúvida.
Infelizmente, neste nosso Brasil dominado por estrangeiros, notadamente
americanos, ninguém se interessou em publicar esses valiosos
documentos.
Por tudo isso, mal consegui conter meu entusiasmo e nervosismo
quando soube que Fidel Castro viria ao Brasil para a posse do
nosso novo presidente. Quase chorando, disse para minha mulher,
Natasha Ivanova Alvim: "Companheira, meu sonho vai se realizar!
Fidel vem aí!". Então, choramos juntos.
Como residente de Brasília, achei que o encontro seria
fácil. Para encurtar meu relato, consegui com um velho
amigo, ora na segurança do governo, o roteiro das solenidades
e das festas da posse presidencial. E se vocês querem saber,
cheguei, graças ao meu amigo, a poucos metros do grande
estadista, em meio a uma multidão. Levantei o braço,
cheio de entusiasmo e emoção, e gritei: "Viva
Fidel Castro! Viva Cuba! Viva a Revolução! Bush
é um criador de guerras!"
Ele olhou para mim, deu um sorriso, esticou o braço para
me presentear com um charuto... e então, os seguranças
me agarraram violentamente e me arrastaram para o banheiro, apesar
dos meus protestos de que o que faziam era digno das ditaduras
mais violentas e antidemocráticas da extrema direita. Eles
me examinaram dos pés à cabeça, um deles
ainda me deu um soco na orelha e depois me soltaram. Tudo isso
não durou mais que uns 20 minutos. Indignado e também
emocionado, corri para casa para contar a Natasha sobre meu encontro
com Fidel Castro e a realização de um sonho de tantos
anos. Quando cheguei, choramos juntos.
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