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Hoje
vou falar do maravilhoso pacote em DVD da nova produtora e distribuidora
Confilm Unlimited, que enviou para nossa coluna nada menos que
45 filmes, entre lançamentos e reedições.
Gente! É um verdadeiro tesouro de obras recentes e jóias
do passado, muitas delas esquecidas, mas jamais perdidas, na nossa
memória. Resgatá-las para meu e deleite dos leitores
é uma tarefa essencial. Por isso, agradeço a este
gentleman, Richard Cesso Menguini, vice-presidente executivo para
a América Latina da Confilm. Thanks, Dick.
O pacote, que custa no todo 340 reais, uma pechincha, levando-se
em conta os tesouros cinematográficos que contém,
é composto por 40 filmes de Hollywood, dois do Irã,
um da China, um de Cuba e, sim senhor!, um bonito drama brasileiro:
"Amores e Dores de Outrora", de 1931. Por isso, vou
dedicar a coluna a esta obra que mostra que nosso cinema já
era grande e respeitado muitas décadas atrás.
É um filme histórico, que todos julgavam perdido,
e agora, após uma minuciosa restauração,
bancada pela própria Confilm, a um custo de 13 mil dólares
e feita num dos maiores laboratórios de Los Angeles, ele
renasce com cópia novíssima, como se tivesse sido
feito este ano.
Ladislao Stary Odpis, cineasta brasileiro de origem polonesa,
que realizou apenas "Amores e Dores de Outrora", foi
elogiado com entusiasmo pela crítica francesa da época.Jean-Marc
Trompeur, um dos mais influentes críticos de Paris, disse
na ocasião: "Com um toque elegante que evoca o croata
Emil Sibica, o entusiasmo juvenil do alemão Kurt Amboss
e a angustiante poesia niilista do austríaco Adolph Verwirrt,
este surpreendente drama que a América Latina nos envia
não é, como parece, uma colcha de retalhos de vários
estilos. Seu diretor, o polaco-brasileiro Stary Odpis, exibe com
exuberância seu talento e nos mostra que há muito
que esperar de outros grandes e pouco conhecidos cineastas latino-americanos".
É ou não é de encher o nosso peito brasileiro
de orgulho?!
Adianto aos meus leitores que vi e revi "Amores e Dores de
Outrora" cinco vezes. E em todas elas me emocionei como há
muito não acontecia. Nós, da crítica de cinema,
que assistimos às vezes até 20 filmes por semana
(meu recorde foi 27, no Festival do Filme Alternativo do Sudeste
Asiático de Bangladesh, em 1968!), corremos o risco de
perder a sensibilidade e o senso crítico, em meio a tantas,
variadas e burocráticas obrigações.
Eis por que fiz questão de ver e rever esta grande obra
várias vezes. Por isso, sinto-me em condições
de afirmar que "Amores e Dores de Outrora" está
lado a lado com outra película de exceção,
o americano "No Jardim do Velho e Esquecido Patriarca Burguês",
magnífica obra-prima de 1926, dirigida por Wilbur Lotta
Boring, simplesmente, minha escolha como o maior filme de todos
os tempos.
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