Afoxé, pirataria e
músicas de Lula

Quem está de volta, após longa ausência, é o popular rapper e pagodeiro baiano Afoxé Bonfim Taylor. Seu mais recente CD, De Volta à Boa Vida, para a gravadora australiana Pain in the Ear, deve ser lançado na próxima semana em Salvador, numa festa na praia para centenas de convidados. Afoxé esteve nos Estados Unidos durante meio ano, em tratamento de saúde, numa das mais conceituadas clínicas de reabilitação daquele país, a "Sweet Angel Dust", em San Francisco. Um desvio no septo, agravado por fumaça de cigarro e pela poluição, acabou se agravando e sua saúde se complicou. Agora, quase totalmente recuperado, inclusive de nariz novo, o rapper e pagodeiro manda pela nossa coluna um recado aos seus muitos admiradores, em perfeito inglês: "Uau, happy people! Uau and very good for you too and everybody else and much more! Yeaahhhh!"

Buck Jones Swindler, o simpático vice-presidente para a América Latina da megravadora americana Soundgalore, além de um gentleman e expert em arte e literatura, é também um dos maiores especialistas mundiais em pirataria musical. Em 1997, ele liderou uma campanha na Indonésia e Hong Kong contra a pirataria que foi tão bem-sucedida que acabou com o mercado clandestino de CDs e LPs naquela região. Agora, está disposto a fazer o mesmo na América Latina, particularmente no Brasil, onde as gravações clandestinas chegam anualmente, segundo Swindler, a dar prejuízos de 450 milhões de dólares. A campanha será desencadeada ainda neste semestre. "Vamos usar todos os meios disponíveis contra esses bandidos", ele afirma. "Se preciso, pediremos até ajuda ao presidente Bush", garante. Para Swindler, a pirataria é algo tão ameaçador como Sadam Hussein..

A popularidade do novo presidente brasileiro chegou também à indústria musical. Todos querem investir num nicho que promete ser bastante lucrativo. Pelo que descobri em minhas andanças pelas gravadoras, já há cinco CDs tendo como título e chamariz o nome do presidente. Eis algumas delas: "Lu, lá vem o homem", do grupo Os Presidentes; "Lula, rei da Hula-Hula", do conjunto Havaianos do Amor; "Ou Lá, Lá, Lulá", com o cantor franco-brasileiro Jean-Marc Marteau, e "Loolah, That's the Name of the Man", do grupo de hard rock Beat Around the Bush.