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A
aposentadoria não é, absolutamente, a primeira morte,
como dizem aqueles que estão eternamente de mal com a existência.
Esses são os mesmos que já eram infelizes antes
de se aposentar e usam essa desculpa por falta de imaginação
de algo proveitoso para fazer. O título da minha coluna,
Que Dia Chato, foi por mim criado exatamente com o objetivo de
chamar atenção para esses momentos, corriqueiros
na vida de todos os seres humanos (até mesmo para os jovens,
em pleno vigor de sua vida), que parecem aborrecidos, sem objetivo.
Então, cabe a nós enfrentarmos esses momentos com
toda a força e imaginação do nosso ser e
descobrirmos o que fazer, em que pensar para torná-los
mais divertidos e proveitosos.'
Tenho 71 anos, aposentei-me há oito anos, e continuo em
plena atividade, física e intelectual. Caminho todos os
dias 600 metros, às vezes chego a correr acelerado cerca
de 230 metros, gosto de bocha, truco e damas (o jogo, bem entendido,
hé, hé, hé...), o que faço todas às
quartas-feiras com os amigos. E não deixo de ouvir, sempre
que posso, cançonetas italianas e boleros de Carlo Buti,Tito
Schipa, Gregório Barrios e Fernando Albuerne,que por sinal
conheci nos meus tempos de garçom. Gosto também
de dançar de vez em quando (pena que as pernas já
não me obedecem como antes), principalmente tango e conga,
e não vou negar que ainda tento, aqui e ali, uma conquista
feminina. Apresso-me a informar que sou viúvo há
14 anos, antes que minhas leitoras pensem que sou um velho sapeca...
Hé, hé, hé...
Gosto muito de filmes antigos, ainda mais depois que minha filha
me deu de presente um videocassete há sete anos. Desde
então, vou todo sábado nas locadoras em busca de
filmes clássicos. Mas eles são difíceis de
encontrar. Meus favoritos são os dramas de Bette Davis,
Joan Crawford, Isa Miranda, Simone Simon, Danielle Darrieux, Randolph
Scott, Cary Grant, Irene Dunne, Charles Boyer, Libertad Lamarque,
Arletty, Adelaide Chiozzo e Ninon Sevilla. É pena que a
gente não ache filmes deles e delas com muita facilidade.
Aprecio também um rapaz novo do cinema, um pouco violento
pro meu gosto, mas grande ator, o feioso Charles Bronson.
Mas a coisa que mais me atrai, pelo menos nos momentos de sossego
em casa, é ler, notadamente os meus autores prediletos:
M.Delly, Suzana Flagg, Lin Yutang e este gênio do humor
e da sátira, chamado Pitigrilli.
Acontece que minha coluna já está ultrapassando
o espaço que eu tenho para escrever.O importante, volto
a enfatizar, é saber desfrutar proveitosamente o tempo
livre que temos com a aposentadoria. Então, me despeço
e deixo com todos os meus leitores e leitoras este pensamento
positivo: "Somente aquele que consegue viver consigo mesmo
pode desfrutar os prazeres da aposentadoria".
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