No meu balanço do ano

Andei afastada da minha coluna e dos meus leitores por motivos superiores. Um deles é que meu superior no jornal, o Dr. Ferrão, me encarregou de fazer várias entrevistas com candidatos do Norte e Nordeste por ocasião das eleições.Confesso que só agora me recuperei da missão.Não foi fácil não, podem crer.

Na minha ausência, recebi um montão cartas e e-mails muito simpáticos, perguntando quando eu voltaria ao nosso querido SacolãoBrasil. Aqui estou novamente, queridos e queridas. E como já virou tradição fazer balanço anual disso e daquilo, resolvi também fazer o meu. Só que vou falar sobre as muitas mensagens,pedidos, convites, cantadas, insultos e muitas outras coisas que recebi ao longo de 2002.

Elogios, pela contagem da minha secretária, a jovem, eficiente e muito bela Esmê, foram 246, todos achando que eu sou a maior nisso e naquilo.Ainda bem que sou modesta por natureza, caso contrário estaria voando por aí. Os pedidos (oh, Deus, de todos os tipos!) foram desde ajuda em dinheiro até emprego e no total chegaram a 650. Infelizmente, meus anjos, não tenho poder nem prestígio para atender vocês. Entre esses pedidos, fico meio envergonhada, e também orgulhosa de contar, tinham 12 me propondo casamento! Imaginem só: eu me casar! Um deles foi de um usineiro de Pernambuco, que se diz muito, muito rico, e solitário, e garantiu numa longa carta que se eu aceitasse a oferta, ele faria um testamento que quando morresse me deixaria dez milhões de reais. Acreditam nisso? Eu não, por isso recusei, pois não sou louca nem nada. Já pensaram? Além do dinheiro, eu ia herdar um canavial! Que diabo eu ia fazer com tanta cana?

Esses pedidos e convites, pelo menos, eram civilizados. Agora, os outros, nem imaginam quantas tolices, bobagens e até insultos! Foram mais de 800 cantadas, me convidando para isso, para aquilo e até para aquilo, se é que me entendem. Teve um, cujo nome deve ser falso, que me convidou para um cruzeiro pelos rios da Amazônia, numa lancha com música e ar condicionado. Só tinha uma condição: eu teria que convidar mais cinco coleguinhas, mulheres e homens! Sacaram o que devia ser? Não quatro, ou seis, mas cinco! Pode uma coisa dessas? O sujeito me cantou dizendo que viu minha foto aqui no jornal e se apaixonou de cara.Conheço esses papos há anos, não caio mais nessa não. A cantada mais engraçada foi a de um homem de Uberlândia, que garantiu que me daria 50 cabeças de gado se eu fosse na festa de aniversário dele e dançasse um tango com ele usando só um biquíni! Mas a cantada mais esquisita veio de Brasília. Um camarada que se diz deputado federal afirma que me conhece há anos e está loucamente apaixonado por mim. Se eu passar uns meses na capital federal, fingindo que sou noiva dele, quando tudo terminasse abriria uma "casa" só pra mim. Fiquei encucada pensando que diabo seria "quando tudo terminasse" e que "casa" era essa. Claro que recusei. Eu, hein, sai pra longe, deputado! Até a próxima, meus anjos.