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Para
ganhar a vida, ela
tem que rir e chorar
Por
Esmeralda Maria Rolim
da nossa equipe de trainees
Maria
Emília Emerenciano, uma balconista aposentada de 56 anos,
arranjou uma segunda profissão pouco comum: ela ri ou gargalha
nas claques de programas de auditório na televisão
ou soluça ou se desmancha em lágrimas em funerais
e casamentos. "Depende da vontade do freguês",
ela explica.
Com 108 quilos e l,76m de altura, sempre bem humorada e dona de
um vozeirão que pode ser ouvido a dezenas de metros, sem
falar numa gargalhada que sempre chama atenção,
ela conta que jamais imaginou que estaria fazendo o que faz, mas
foi forçada a arranjar uma segunda ocupação
quando se aposentou, pois o dinheiro mal dava para sustentar a
família.
Tudo começou quando uma amiga que mora na mesma rua contou
a ela que estava se divertindo muito com o bico que arranjou para
conseguir um dinheiro extra. E além disso via lado a lado
os astros e estrelas da televisão todo dia. Maria Emília
quis saber o que era e quando deu pela coisa estava diante de
um diretor de palco na Rede Brasil Show! Na primeira gargalhada
que deu foi contratada na hora. Na noite seguinte já estava
entre as 20 mulheres e homens da claque do programa humorístico
A Vida é Um Grande Há, Há, Há!.
"Não dá pra ficar rica, mas a gente se diverte
e não fica bobeando em casa sem fazer nada", ela diz.
Em cada gravação do programa, "dando pelo menos
umas 50 gargalhadas", segundo conta, ela ganha 14 reais.
"No fim do mês, dá para tirar aí uns
210, 250 reais.Não é muito, mas tem muita gente
por aí que não se diverte nem a metade e ganha menos
ainda", Maria Emilia explica.
Nem
tudo é risada
Foi
por causa de um episódio triste que ela aprendeu também
a faturar chorando. Uma tarde, antes da gravação
do programa, Maria Emília estava deprimida por causa da
morte de uma amiga.Não conseguiu segurar a tristeza e começou
a soluçar e chorar tão alto que um companheiro da
claque descobriu que ela tinha também outro talento além
das gargalhadas. E a convidou "a chorar profissionalmente"
em velórios, enterros e também em casamentos. Em
princípio, achou estranho, pois tinha de fazer exatamente
o contrário do que fazia.Mas logo percebeu, segundo afirma,
"que eu era tão boa na alegria como na tristeza".
Ela conta que não sabe em qual das duas é melhor,
"Só sei que, rindo ou chorando, dou conta do recado
e impressiono as pessoas".
Hoje, Maria Emilia chega a fazer oito shows de riso ou choro por
semana, o que, segundo afirma, acaba sendo um trabalho pesado.
Mas confessa que adora a nova profissão, mesmo que, de
vez em quando, tenha alguns problemas inesperados.
"Uma vez, um amigo me pegou às pressas em casa e disse
que eu tinha um trabalho de emergência que ia pagar muito
bem.Mas não teve tempo de me contar o que era, só
que eu ia ficar escondida atrás de uma cortina, na casa
de um comediante famoso", ela conta. "Chegamos lá
e um sujeito ficou me olhando, aí fez um sinal pra mim
e eu soltei a melhor gargalhada que eu tinha. O homem fez uma
cara de espanto, minha amiga chegou apavorada e só então
descobri que era o velório do homem. Em vez de dar risada,
eu tinha de chorar feito uma louca, e ninguém me disse
nada. Foi o maior vexame da minha vida".
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