Vamos todos fazer
sacrifícios pelo Brasil!

Não gosto de política, muito menos de políticos. Quando penso neles, sempre me lembro do meu slogan aí em cima na coluna:a maioria deles não tem imaginação sequer para pensar, seja pequeno ou grande.

Mas agora, meus caros leitores, creio que está na hora de todos os brasileiros pensarem pequeno, bem pequeno, pois o que vem por aí é grande só no tamanho dos problemas que nos esperam. O presidente eleito já avisou, antes mesmo de assumir o cargo, ele quer sacrifícios de todos nós para enfrentar as dificuldades que, segundo os especialistas (nunca soube quem são eles, afinal) vão ser três vezes maiores que as anteriores. Será mesmo?

Seja como for, esta coluna decidiu colaborar com o futuro governo, e elaborou uma pequena (pra não fugir à regra) tabela de sacrifícios que todos nós, pobres ou ricos, sem teto ou de berço esplêndido, invasores de terras ou fazendeiros, teremos de oferecer à Nação. Eis algumas delas:

Se você pertence à sempre sofrida classe média, desça um pouco mais: passe a comprar o feijão tipo 2, em vez do caríssimo tipo 1. Quem já usava o 2, sorry, desça para o número seguinte. Feijão é sempre feijão, por pior que seja. O mesmo vale para o arroz.

Carne, um luxo eterno do brasileiro esbanjador, só uma vez por semana. Assim mesmo, nada de coisas caras, como patinho, coxão mole ou fraldinha. Façam como eu, que cortei a carne moída do meu cachorro (era músculo moído, mudei pra fígado). E querem saber? Meu cachorro nem notou a mudança.

Bebidas, só no fim de semana. Uma cervejinha pra você, a mulher e talvez o sogro (ou a sogra). Os dois podem ser eliminados (no bom sentido, é claro) dos seus almoços de domingo: Convide-os só quando receber o salário. A não ser que você esteja dentro da futura e privilegiada categoria dos 240 reais por mês.Aí, a festa é sua.

Economize energia.Ela já está faltando, não ajude a piorar. Primeiro passo: baixe lei dura em casa: o grande vilão, o chuveiro elétrico, só 50 segundos por pessoa, assim mesmo, com dois no mesmo banho. E que tal assistir televisão no escuro? A forte luz dela é o suficiente para iluminar todo o ambiente. E se por infelicidade você gosta de ler, sorry, deixe para a luz do sol.

Lazer? Coisa de privilegiado, que não é o seu caso. Corte tudo em casa, sorvete, a pinga com amigos no domingo, a feira-livre semanal (uma vez por mês é o suficiente, pensando bem). O novo governo promete incentivar os espetáculos ao ar livre, uma grande opção para todos. Um amigo nosso, a mulher e um casal de filhos, que moram na zona leste, andam de casa até a zona sul (16 quilômetros) para ver shows de cantores nacionais que se apresentam em praças e locais públicos. E juram que o cansaço é o de menos, quando o espetáculo vale a pena.

Espero ter contribuído para ajudar o novo governo e a nossa sempre sofrida população. Prometo mais sugestões na próxima coluna. E lembre-se, a partir de janeiro, mais do que nunca, pense pequeno e ajude o Brasil a ser grande.