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O
velho ditado de que as coisas pequenas encerram ou escondem grandes
segredos tem muito de verdade. Pensei nisso outro dia quando vi
ao vivo, e até peguei na mão, a urna eletrônica
onde estamos registrando nossos votos nesta eleição.
Um dos segredos, certamente, é o estético. De criatividade
ou beleza, a urna não tem nada. Seu design é antigo,ultrapassado,
convencional demais. Sabem por quê? Eu conto o que era um
segredo até agora.
Cerca de oito anos atrás, o grande designer holandês
Leeuw Tekening, meu amigo de cursos de arte na Bélgica,
ofereceu ao nosso governo um desenho revolucionário, de
grande beleza e funcionalidade, de uma urna eletrônica.
Seria A urna eletrônica, não uma qualquer.
Diversos designers internacionais e brasileiros, entre estes,
o notável e já falecido Ramiro Overraske, fiaram
encantados com a urna. Ela tinha medidas minúsculas, mas
essenciais: 14cmx7x8.
Se aprovada pelas nossas autoridades, a urna seria modelo e inveja
em vários países.Mas sabem o que aconteceu? O desenho
e a oferta generosa de Tekening, que cobraria apenas um preço
simbólico (ridículos 130 mil dólares), pararam
na nossa tradicional e nefanda burocracia. Falou-se que era preciso
abrir concorrência pública, incluir nela designers
nacionais e coisa e tal. O de sempre, como se vê. Resultado,
a urna, batizada pelo seu criador como "paddestoel"
(cogumelo, em holandês, por se assemelhar bastante a ele)
foi para o arquivo e nunca mais saiu de lá.
O modelo escolhido foi o convencional, nada criativo, que o eleitor
encontrará quando for votar nesta, e na eleição
do segundo turno. Meu leitor perguntará: que diferença
faria se fosse esta ou a urna de Tekening a adotada? Eu respondo:
a diferença é acentuada, meu caro. Já que
temos de votar, que votaríamos em grande estilo, com toda
a pompa, solenidade e beleza que a ocasião merece. E apertar
teclados e botões de designer revolucionário faria
nosso voto ainda mais representativo! Apenas isso! Pobre país
o nosso!
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