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Eleições
2002
Tânya
Elizabette
conhece os candidatos

Eu
não vinha à Bahia desde que tinha feito uma temporada
artística de um mês como dançarina na boate
de Salvador Amor, Amour, Amore no começo de 1990.
Eu tinha apenas 22 anos e foi lá que aprendi tudo sobre
a vida, e digo tudo mesmo. Aprendi até mesmo o que não
devia, se é que vocês me entendem. Estou lembrando
dessas coisas porque fui entrevistar em Feira de Santana, nos
interiores da Bahia, um candidato a deputado federal, chamado
Juvenal Jovino de Alencar. O entrevistado foi escolhido pelo meu
jornal, que me mandou para várias cidades do Brasil para
ouvir candidatos de todo o tipo e todos os partidos e mostrar
como são e o que pensam esses políticos que não
vivem nas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro.
O homem me deu um chá de cadeira, me deixou esperando quase
uma hora na poltrona do seu escritório, uma poltrona grande,
muito macia, pra deixar qualquer uma desconfiada. Aquilo é
confortável demais para o eleitorado dele...Se é
que vocês me entendem. Mas aí eu achei que estava
botando maldade demais num sofá, e nem mesmo conhecia o
homem. Me disseram na cidade que o Jovino é figura importante,
influente e muito rico. E garantiram também que ele já
estava eleito deputado federal numa boa. Então achei que
devia ir devagar com ele, ainda mais que, pelo que eu soube, é
muito amigo de gente importante Com essas coisas, é melhor
não mexer muito, senão vira sujeira, e sempre pro
nosso lado, é ou não é?
Velho
conhecido
Por
que me mandaram entrevistar políticos no interior do Brasil
eu não entendi até agora. Não sei nada de
política, e políticos conheço somente aqueles
que eram clientes das boates e das casas onde eu trabalhei. Conheci
esses caras, gente, muito bem e, podem crer, queridas, eles não
são nenhuma flor que se cheire, se é que vocês
me entendem.
Eu estava na sala do comitê esperando o homem me atender
e fiquei olhando os cartazes dele na parede e me deu um negócio
na cabeça que eu conhecia aquela cara.Olhava e olhava e
nada de matar a charada. Aí ele apareceu todo sorridente,
com um monte de gente atrás. Me cumprimentou e me deu um
beijo, e aí, gente, deu o estalo na minha cabeça.
Finalmente descobri. Aquele cara era o Jovito Boquinha,
como a gente o chamava lá na boate de Salvador. Era o dono
do Amor, Amour, Amore e de mais umas três
ou quatro casas na capital baiana.Algumas delas muito esquisitas.
As garotas que trabalharam lá diziam que era de meter medo.Falavam
até que ele tinha matado duas mulheres que resolveram ir
embora e iam denunciá-lo na polícia.
Falei com ele um pouco, fiz umas perguntas que a turma do jornal
tinha me passado e fui logo embora. Eu, hein, não sou louca
nem nada. Sei lá se ele me reconheceu e ia me cobrar umas
e outras.Se é que vocês me entendem.
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