A Itália quer mandar
as prostitutas para casa

Um leitor que não deu seu nome no e-mail que mandou para a minha coluna, e que assinou "Morro de paixão por você, Tânya", me deixou meio encucada. Em primeiro lugar porque a coisa está me cheirando a "cantada", pois recebo várias cartas de "admiradores" que vivem pedindo meu telefone particular, endereço de casa, dizem que querem me conhecer e coisa e tal. Já estou acostumada com isso e volto a dizer que não dou, não adianta insistir.

Acontece que esse tal leitor me mandou também uma pergunta complicada. Ele diz que leu no jornal a notícia de que um ministro lá da Itália apresentou um plano para criar "centros eróticos" em várias cidades. Esses centros não seriam nada menos, nada mais, que os velhos bordéis que muitos de nós conhecemos e voltariam a ser criados para oferecer sexo aos homens, mas que pagariam impostos e seriam inspecionados pelo governo nas questões de saúde, higiene e coisa e tal. O objetivo do plano seria tirar das ruas os milhares de prostitutas que estão se espalhando por todas as grandes cidades e estradas da Itália.

Ora vejam só, vocês que acompanham a minha coluna! Um projeto, e logo na civilizada Itália, para trazer de volta o velho e bom sexo e botá-lo de volta naqueles lugares que nós todos conhecíamos com vários nomes: zona, puteiro, lupanar, bordel, casa das moças perdidas e outros. Que engraçado, não é? Seria se não fosse também trágico.

Mas não vou dar uma de moralista, não eu, que não sou disso. O que eu acho é mais ou menos complicado, porque essa história de botar puta só na casa dela já deu o que falar aqui no Brasil, anos atrás.Pelo que sei, a prostituição nunca foi levada a ferro e fogo por aqui. Não conheço bem a lei sobre a nossa profissão, mas pela minha longa experiência, as autoridades parece que deixaram as putas em paz, até onde eu sei. De vez em quando, umas e outras vão presas, mas acho que não é pela prostituição, mas porque elas aprontaram alguma confusão, tumulto, baderna, briga e outras cositas más. Por mais triste e complicada que seja a nossa profissão, acho que elas por elas, aqui no Brasil as coisas não são tão perigosas e cruéis como em outros países. Ou será que não? Bem, eu escrevi demais e por isso vou parando por aqui. Mas o assunto é bom e eu tenho umas coisas a dizer sobre ele mas fica para a próxima coluna. Espero vocês mês que vem, tudo bem?