Lançamentos vão
do Paquistão à França

Quando se trata de diversão, pura e simples, é duro bater Hollywood, é ou não é, gente? Um amigo da coluna tem uma definição que considero definitiva, falando sobre filmes americanos e europeus. Segundo ele, no europeu, nada dá certo e no americano, tudo dá certo. Mas vou falar na coluna de hoje sobre americanos, europeus e orientais. Eis os lançamentos de destaque que acabam de chegar às locadoras. A opinião é minha, a escolha é sua, caro leitor.

A Ressureição da Marmota Dourada (Faar Asabi). Uma raridade, um desenho animado do Paquistão. Vale pela curiosidade. Mas vou avisando logo, não tem nada de Disney, muito menos de Spielberg. De qualquer maneira, não custa conhecer. A técnica é ainda canhestra, a animação deixa a desejar e a fotografia é preto e branco. Mas a história encerra singela lição de vida. Camponês e seu filho, que moram numa vila perdida na floresta, descobrem o segredo da felicidade nas profundezas de um pântano, onde travam amizade com um camaleão dourado e um filhote de elefante que conseguem falar. Primeiro grande lançamento da nova distribuidora Faraway Art and Business.

Amor Sem Limite (Don't Bother Me With Shits). Quem consegue esquecer a linda e talentosa Maryjane Fumes, do grande sucesso de 99 "Amor Ilimitado" (It's Only Manure)? Ela está de volta com este grande hit, que faturou ano passado 459 milhões de dólares em apenas 12 dias nos EUA! Maryjane interpreta uma jovem milionária, no Mississippi do século passado, que pinta o rosto de preto, numa brincadeira com as amigas, é confundida com uma negra, seqüestrada e vendida como escrava para um cruel fazendeiro da África do Sul, que acaba se apaixonando por ela, mesmo sendo casado.

A Maldade é Alaranjada (Brzydki Indyk). Mais um filme do elogiado cineasta polonês Grzanka Przezroczysty, vencedor da Raposa Ligeira, prêmio máximo no Festival de Novatos de Zanzibar. Este belo drama existencial faz parte de uma série de 12 filmes do diretor, todos abordando o Mal ao redor do mundo e ao longo dos séculos. Quem só quer diversão, melhor procurar outro programa.

Quando o Sr. Ishikawagima Nos Deixou (Tara Kawaita). Um raro lançamento em vídeo do cinema japonês. Trata-se do último filme do diretor Kiichigo Momo, o mesmo do delicado e sensível "A Senhora Oriibu Está Doente" (Tensai). A história gira em torno de Kinoko, velho pescador de uma remota aldeia do sudeste do Japão que sai pelo mar em busca de um grande peixe no dia em que os americanos lançam a bomba atômica em Nagasaki. Os efeitos especiais sobre a explosão nuclear são de tirar o fôlego. Bem-vindo retorno ao mercado da velha distribuidora paulista de filmes Bakudan.

Razão e Sentimento (La Cuvette et le Pissotière). O maior sucesso no ano passado na França, tendo registrado nos cinemas parisienses um público recorde de 33 mil pessoas em apenas nove meses. A surpresa do êxito é por causa de sua trama, de difícil compreensão para o grande público, abordando a vida, os tormentos existenciais e a loucura do monge trapista Daniel Auteil Emmerdant no século 14. O crítico Pierre-Gaspard Gluant , o mais respeitado da França, escreve na capa do vídeo sobre o filme: "A mecânica ambiental e estrutural da obra, a décupage, que subjuga e em seguida sobrepuja com sabedoria as filigranas filosofais e conceituais de uma alma complexa e abrangente, e a perscuciente direção, que poderia ser ersatz de mestres da tela iranianos e chineses, tem vida própria, é delicada, não-obtrusiva, evitando habilmente as ciladas éticas e religiosas do romance, e ousando com um brilhante e exasperante circunlóquio nos diálogos, na simbólica cena do sinistro visitante (na verdade,Caronte, o barqueiro da Morte), fazem do diretor Paul-Christian Cuille, de apenas 19 anos, a maior revelação do filme francês nos últimos dois anos.Não seria exagero compará-lo ao americano Ford Beebe e ao húngaro Sandor Lepke em poesia cinemática. Só um reparo:por que fotografar em cinemascope uma história tão intimista e minimalista?".