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A
epidemia dos casa disso e daquilo, dos brothers e sisters começa
a causar danos mais sérios que aqueles que afetam diretamente
os neurônios de quem assiste a essas coisas. A prova disso
são duas pessoas:o psicólogo Carlos Wander Köder
e um dos participantes do reality show Casa da Mãe Joana,
Josias Patrocínio. O primeiro concluiu, após assistir
a espetáculos do gênero na Holanda, Estados Unidos
e Brasil, que esse tipo de programa é extremamente nocivo
às platéias mais influenciáveis, já
que, além de endossar a idéia de que é divertido
espionar o vizinho (no caso, segundo o psicólogo, "invadir,
por cima do muro, a privacidade alheia, buscando satisfação
fálica ou vaginal"), o espectador cada vez quer mais
compensações e satisfações.
Köder explica que, "à medida que vai penetrando
e avançando na intimidade dos participantes, o público
descobre que isso não mais satisfaz seus desejos recônditos,
e passa a exigir mais e mais problemas, dificuldades, obstáculos
e sofrimentos dos participantes. As emissoras percebem isso, por
meio da queda dos índices de audiência, e inventam
tarefas mais difíceis e humilhantes para esses pobres diabos.
Eles concordam, pois sonham com mais do que 15 minutos de fama:
querem ser celebridades por mais tempo, o máximo que conseguirem,enquanto
as participantes femininas buscam arranjar contratos lucrativos
com revistas de mulheres, entre outras vantagens, que pagam milhares
de reais por corpos desnudos",afirma o psicólogo.
Köder conclui sua tese dizendo que, no geral, todos saem
perdendo: participantes, público e emissoras, que rebaixam
seus níveis de qualidade aos menores limites exigidos pela
luta por audiência.
A outra versão dos reality shows, bem menos sofisticada
que a do psicólogo, é a de Josimar Patrocínio,
cuja participação no show Casa da Mãe Joana
não passou do segundo programa,quando foi eliminado. Ele
acusa o produtor do programa de preconceito, por ser gay e gago.
Conta que, antes da gravação do programa de estréia,
o produtor, cujo nome não lembra, lhe pediu para desmunhecar
bastante e olhar "com avidez" para outro participante,
o astro de luta-livre Carlão Bíceps. Diz Josimar:
"Eu nem sabia o que era avidez, aí o cara da televisão
disse pra eu fazer cara de tesão pra ele. O dinheiro prometido
era bom, eu fiz a cara que ele pediu, e até me humilhei,
mas pra que?"
Ele diz que todos riram dele durante a gravação
da tal cena. "No programa seguinte, fui eliminado. E quer
saber o que ganhei?", Josimar desabafa. "Só 220
reais. Sem falar no vexame que eu passei e estou passando.No meu
bairro, as pessoas apontam na rua pra mim e começam a rir".
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