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Bailarina brasileira foi amante de Bin Laden
"Olho
para o passado e temo
que ele volte para se vingar"
- Último Capítulo!
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Por Anthony
Charles Carpi
Exclusividade para o SacolãoBrasil
na América Latina
Este
é o capítulo final do diário e das memórias
de Maria das Graças Aymé, conhecida como a Papoula,
que teve em Paris um romance com o homem mais procurado do mundo,
Osama Bin Laden.
Numa bela noite de julho, comíamos num barzinho árabe
em Montmartre, Cher Bin estava mais suave e à vontade como
nunca havia visto.Ele relembrava tempos mais tranqüilos na
sua Arábia Saudita, a juventude, os amigos, as namoradas,
e uma mulher que, segundo disse, foi a única, dentre muitas,
que incendiou seu coração e deixou na memória
alguns dos melhores momentos de sua vida sentimental. Confesso
que fiquei com ciúme, mas consegui disfarçar a ponto
de pedir que me contasse mais sobre ela. Foi a primeira vez que
o vi realmente emocionado, e podia quase jurar que ia até
chorar.Mas logo se recompôs e contou que a mulher de sua
vida se chamava Shamsia Benzir. Eu ainda imaginava como deveria
ter sido apaixonado o romance dos dois quando a voz doce de Bin
ficou de repente dura e agressiva e disse: "Vamos sair daqui.
E já". Jogou umas notas para pagar a conta, agarrou
meu braço e quase me arrastou pela rua. Percebi que olhava
nervoso para trás. Olhei também e vi que um homem
alto, de capa e chapéu, daqueles antigos, dos velhos filmes
de Hollywood, nos seguia apressadamente. Percebi nervosismo e
até medo em Bin. Quando finalmente o homem nos perdeu de
vista, perguntei quem era. "Oh, ninguém", respondeu
Bin. "Apenas uma ameaça que me atormenta há
vários anos".
Uma
sombra nos perseguia
O
homem que nos seguia e que, segundo Bin, era "apenas uma
sombra", iria reaparecer em minha vida várias vezes,
sempre à distância, principalmente depois do pavoroso
atentado em Nova York em setembro de 2001.Nunca descobri quem
era, mas até mesmo alguém distante dos mistérios
e perigos do terrorismo, como eu, pode deduzir com alguma certeza
que se tratava de algum agente americano tentando achar, por meu
intermédio, o foragido Bin Laden, o homem mais procurado
do mundo. O mais perto que ele chegou de mim foi em novembro daquele
ano. Não cheguei a vê-lo, mas ele esteve em meu apartamento,
num fim de semana em que viajei para Marselha, em visita a velhos
amigos brasileiros. Quando voltei a Paris e entrei em meu apartamento,
tive uma terrível surpresa. Estava tudo revirado, todas
as gavetas abertas, as roupas, papéis e documentos espalhados
por todo o lado. Um caos mesmo.Não tive coragem de entrar
e fui correndo pedir ajuda a meu vizinho do lado, Jean-Christofe,
um flic (policial),e entrei atrás dele no apartamento,
morrendo de medo.Mas já não havia ninguém
lá. Por isso, dá para imaginar como era intensa
a caçada a Bin. O agente, com certeza, tentava achar em
meu apartamento alguma pista para localizar meu ex-amante.
Bandeira
rasgada
A esta altura, como já contei, Cher Bin já havia
desaparecido da minha vida, e do meu afeto, há três
anos. Mas gostaria de voltar um pouco no tempo para lembrar como
foi o último dia em que Bin Laden esteve ao meu lado.
Eu me lembro bem que fomos a um parque em Beleville, nos arredores
de Paris, assistir um concerto ao ar livre, que incluía
músicas e danças típicas do Oriente Médio,
e Bin fez questão que eu fosse, para conhecer melhor seu
país pela música. Confesso que achei tudo muito
aborrecido, mas ele estava tão emocionado que chorou sem
controle quando um conjunto típico tocou canções
sauditas e afegãs. Aí, algo estranho aconteceu.Ao
nosso lado, um garotinho de seus sete, oito anos, brincava na
grama e agitava uma bandeira de papel dos Estados Unidos. Bin
enxugou as lágrimas, levantou-se rapidamente, e, gritando,
num acesso de raiva, tomou a bandeira do garoto e a rasgou em
vários pedaços, dizendo palavras que pareciam insultos
em árabe. O menino começou a chorar, o pai dele
se levantou indignado e já ia agredir Bin, que foi mais
rápido e lhe deu um soco. O homem conseguiu se esquivar,
mas o soco o atingiu com força no peito e ele caiu. A mulher
que estava junto começou a gritar feito louca e logo surgiram
dois flics. Ainda com o rosto cheio de raiva, Bin Laden
percebeu que podia ser descoberto, saiu correndo entre a multidão,
me deixando lá com cara de espanto e tendo que explicar
depois para a polícia e para o pai do garoto o que tinha
acontecido. Indignada por ter sido abandonada daquele jeito, menti,
disse que nunca tinha visto antes o agressor, apenas me sentara
perto dele na grama.Foi a última vez que vi Cher
Bin em carne e osso.
Hoje, sozinha no meu pequeno apartamento, rememoro vez por outra
o estranho e perigoso romance que tive com o homem mais procurado
do mundo, Hosama Bin Laden. De vez em quando, tenho algumas sensações
e sustos na madrugada, felizmente só isso, sensações,
de que alguém está batendo em minha porta. Abro
os olhos assustada, e tudo está silencioso. Levo tempo
para voltar a dormir.Será que alguém bateu? Foi
apenas imaginação?Será ele outra vez? O passado
vai voltar para me atormentar? - Fim
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