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O
grande crítico e historiador ítalo-suíço
Guido Arista Frode disse uma vez que o curta-metragem pode ser
o caminho lento ou curto para o jovem cineasta chegar ao longa.
"O curta é o laboratório,o trajeto mais acessível
e adequado para o iniciante mostrar o seu gênio no celulóide.
Ou a falta dele. Pode ser também o primeiro ou o último
degrau para alcançar o Olimpo dos gênios do cinema",
afirmou Frode, com sua proverbial sabedoria! Ele destacava, a
propósito, o seu cineasta predileto (e meu também),
o servo-croata Plav Magarac,oriundo dos curtas, e que faria depois
três obras fundamentais na história do cinema:"Kamila"(Camelo
Divino), "Sladak Leptir"(Doce Borboleta) e o talvez
maior dos filmes sobre a vida simples no campo,"Seljak Gorak"(O
Camponês Traído). Tudo isso aos 22 anos!
Eu evocava essas obras-primas no escuro da sessão de abertura
do 43º Festival Internacional Vamos Curtir o Curta, naturalmente
sem sonhar em encontrar o mesmo nível de excelência
de Magarac entre os 158 representantes de 95 países, em
exibição até o mês que vem no Salão
da Sétima Arte, no belo Palácio da Cultura Geral.
Qual não foi minha total surpresa ao topar, logo no primeiro
e excelente exemplar do festival, o finlandês "Parturi"
(O Cabeleireiro Louco), com uma pequena obra-prima digna dos mestres
consagrados. Seu diretor,Kaniini Tumma, de apenas 17 anos, mais
do que um promissor cineasta, é já um refinado homem
de cinema, que pode se aventurar sem medo nos mistérios
e ciladas do longa-metragem. Tomem nota: o mundo ouvirá
breve o som e a fúria do talento de Tumma. Não por
acaso, ele tem como "padrinhos culturais e inspirações"
os quatro gigantes da 7ª Arte em todos os tempos: Goddard,
Chabrol, William Witney e Spencer Bennet!
Falar
de todos os 87 curtas exibidos na sessão inaugural do festival
seria tarefa impossível, até mesmo para 20 ou mais
críticos. Mas pretendo, em futuras colunas, abordar alguns
dos inequívocos talentos que me surpreenderam. Entre eles,
destaco o japonês Choozume Nigai, o tailandês Sosis
Pahit, o turco Buz Sicak, o sueco Smutsig Orm e o egípcio
Bahhar Himar. Sem falar na talvez mais fulgurante presença
da noite, o brasileiro Vadão Cândido, cujo "Inquestionavelmente
Rapper" arrebatou a grande platéia, constituída
em sua maioria de jovens.Como dizem os coleguinhas da crítica,
não é nenhuma obra-prima, mas quase chegou lá.
Dois registros oportunos: a se lamentar profundamente a ausência
na mostra dos maravilhosos cineastas do Irã entre os melhores
do mundo na atualidade. E felizmente no festival não há
um só filme norte-americano. Em meio a tanta cultura e
refinamento, um exemplar da dominadora e decadente indústria
made in USA seria como uma maçã podre a contaminar
frutos tão exuberantes e puros.
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