Bailarina brasileira foi amante de Bin Laden

"Eu estava vivendo
com o demônio"

- Penúltimo Capítulo -

Por Anthony Charles Carpi
Exclusividade para o SacolãoBrasil na América Latina

Quando decidi me entregar de corpo e alma ao homem do Ritz, que não era um tipo qualquer, dos muitos que a gente conhece pelas ruas, bares e lugares elegantes da capital francesa, descobri algum tempo depois que havia algo de diferente, charmoso e também assustador nele. Paris sempre foi um paraíso para quem adora amores fugazes, romantismo artificial (e também de verdade, claro), papo furado, conquistas amorosas e sexuais, que não levam a nada, bem como aquelas que podem terminar em casamento e relacionamento eterno, enquanto durar, para usar uma das mais sábias e cruéis imagens do nosso maravilhoso Vinicius de Moraes. Mesmo contra a minha vontade, e minha natureza, resolvi que iria amar intensamente aquele homem alto, misterioso, de poucas palavras e que desde então passaria a me atormentar todos os dias com ciúmes e suspeitas que muitas vezes eram coisa de um demente e não de um árabe que parecia ter a sabedoria milenar de seu povo.

No segundo dia após a gente se conhecer, perguntou quem eu era e por que aceitei logo de cara sair com ele e me entregar ao sexo. Eu disse que sempre fui assim, cheia de paixão e sexo com aqueles que eu aceitava, após um cumprimento, uma gentileza, um gesto romântico como tinha sido o dele, de levantar uma taça de champanhe e fazer um sinal para mim no bar do Ritz. A minha explicação de mulher romântica, e carente, não o convenceu, percebi logo. Mas também não quis ir mais longe.Amor, paixão ou sexo, chame você o que quiser, sou mulher,sou romântica, dane-se o resto. Eu era então mais jovem, estava muito envolvida, mas hoje consigo dizer o que não sabia na época: foda-se Bin Laden ou qualquer homem que exija muita explicação sobre a minha natureza. Amo porque amo e me entrego porque sou assim. E estamos conversados.

No Afeganistão

Após meses de intenso e tumultuado relacionamento, em que o ciúme, as brigas, iras incontroláveis e até agressões mútuas faziam parte quase que diariamente da nossa vida em Paris, Cher Bin me surpreendeu uma noite na varanda de seu luxuoso apartamento parisiense. "Vamos viajar para bem longe", disse. "Para onde?", perguntei. "Você logo saberá", foi a resposta seca. No dia seguinte, estávamos em seu jato particular, o mais luxuoso que eu conheci,a caminho, saberia depois, da distante Cabul, no Afeganistão.

Com o passar do tempo, descobri que meu misterioso amante árabe era um homem muito, muito rico.Depois que tudo terminou entre nós, decidi pesquisar a vida e a fortuna da família e o que levantei me deixou de boca aberta. Até hoje. Os negócios da família dele na Arábia Saudita, hoje dirigidos pelo seu sobrinho, Bakr bin Laden, um dos 54 filhos do tio de Cher Bin, envolvem mineração, telecomunicação e imóveis e faturam por ano cerca de 5 bilhões de dólares. Em 94, sua família rompeu todos os laços com ele, por causa de suas atividades terroristas. Em 2001, após o destruidor atentado ao World Trade Center, seus familiares o condenaram e o repudiaram para sempre.

Mas naquele tempo juntos, numa ampla e afastada mansão, no alto de uma colina nos arredores de Cabul, tivemos doces momentos, bem como outros, explosivos e violentos. Ele passava longas semanas longe de mim, viajando por diversos países do Oriente e da África. Nunca me dizia o motivo de tantas viagens, e eu jamais perguntava.

Trágica descoberta

Numa noite de gelado inverno nas montanhas de Tora Bora, ele chegou inesperadamente, em companhia de três outros homens, fez um aceno rápido para mim, fecharam-se numa sala e horas depois Cher Bin reapareceu. "Vamos para a cama", ordenou rispidamente. Eu o acompanhei pelas escadas, ele andava apressadamente. Fomos para a cama e percebi que estava nervoso, tenso, suas longas e magras mãos tremiam sem controle. Apontou um dedo para mim e o que disse e do jeito que disse, me assustou: "Até aqui, tudo o que eu e meus comandados fizemos não passou de treinamento, de preparativo para o mais importante. O pior, a destruição, a minha vingança maior está a caminho".

Naquele momento, o medo e o terror me assaltaram. Só então,depois de um ano e meio juntos, percebi em seus olhos fundos, cheios de maldade e ira, o que até então recusava a admitir:eu estava vivendo com o Mal! Eu era amante do Demônio!

Na próxima edição, o capítulo final das memórias da bailarina Maria das Graças Aymé, a Papoula: "Olho para o passado e temo que volte para se vingar de mim !"