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"Paris
je t'aime", "I love Paris". Sou fissurada na capital
francesa.Nem poderia ser de outro jeito, claro.Afinal, é
a capital global da moda e quem é do ramo não pode
imaginar outra cidade para conhecer as últimas novidades
do "le monde fashion".
Acabo de retornar de uma viagem a Paris, para onde fui cobrir
incrível, sensacional, um really top desfile de
modas, diferente de tudo o que já tinha visto em meus anos
como modelo, designer e agora também promotora e colunista
(sem falar que lanço em breve meu livro de poesias, que
vai se chamar "Paixões em Passarela")
Estão
sentadas, queridas leitoras? Pois saibam que fiquei extasiada
com um evento revolucionário, chamado "Clochards:
la Beauté de Basfond". É o primeiro em todo
o mundo a criar nova tendência: moda para os clochards.
Como vocês devem saber, clochards são os sem-teto,
mendigos que perambulam sem destino pelas ruas parisienses.Eles
são um problema social sério, mas também
pessoas sujas, malvestidas, malcheirosas, que enfeiam e depõem
contra a bela Paris. O que fez então Jean-Paul Chiffonier,
um dos papas da moda francesa? Criou toda uma coleção
popular e de baixo preço para vestir e embelezar esses
pobres diabos. Dos pés à cabeça, ele desenhou
coisas lindas, e tão acessíveis que até mesmo
os mendigos poderão adquirir. Fantastique, não?
Preços
baixos
Para
facilitar tudo ainda mais, Chiffonier convenceu três industriais
e milionários parisienses, Antoine Perdrix Pamplemousse,
Jean-Jacques Rince-Bouche e Paul-Gérard Bourbier, a se
engajar nessa cruzada social e a financiar mais de 90% da produção
em larga escala desses artigos. O resultado é que um lindo,
lindo manteau de fourrure (casaco de pele) pode ser vendido
a pouco mais de 75 francos! Bretelles (suspensório,
imagine só!) são vendidos a 37 francos! Até
mesmo um encantador par de boucle d'oreille (brincos),
que eu usaria tranqüilamente em qualquer desfile ou recepção
elegante aqui no Brasil, consta dessa coleção popular
de Chiffonier. O preço, espante-se, leitora: 28 francos!
Só mesmo na elegante e civilizada França tal acontecimento
de inequívoco significado social poderia acontecer. Vive
la France!
A
propósito, as encantadoras e eficientes assistentes de
Chiffonier, Jacqueline Marivonne Serviette e Lucille Bétise
Épingle, presentearam-me com vários artigos da coleção,
apropriadamente chamada "Le Beau Clochard". Merci,
Serviette, merci, Épingle. Dada a
importância desse evento, prometo voltar a ele na próxima
coluna.
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