Saí de casa só para
ver o Ronald Colman

A semana passada eu acabei tomando coragem e fui ao cinema. Vocês todos sabem como é perigoso nos dias de hoje sair de casa com essa violência toda que anda por aí. Ainda mais para uma senhora da minha idade. Foi a minha velha e querida amiga Maria Eugênia quem me convenceu a ir a um cinema aqui perto de casa, para ver o esbelto e gentleman Ronald Colman. Já ouviram falar dele? Claro que não, acredito que muitos dos meus leitores sejam muito jovens para saber quem era ele. Acho que os pais e os avós dos leitores devem saber. O Colman, um ótimo ator e um lindo e elegante homem (de bigodinho e tudo), era o meu predileto no cinema da minha época, acima de todos os outros.

Naqueles longínquos anos 40, eu saía correndo de casa para ver os filmes dele, que eram sempre inspiradores, civilizados e com mensagens valiosas de respeito, cordialidade e amor à vida e ao ser humano. Eu não perdia nenhum.Nada desses horrores que passam hoje em dia, só com maldades e violência,a mesma violência que também está fora da tela, nas nossas ruas.

Vou confessar uma coisa para vocês, queridos amigos e amigas. Eu fui ao cinema com a Maria Eugênia e senti a mesma emoção dos tempos de adolescente e mal podia aguardar o início da sessão, que fazia parte de um festival de filmes antigos, para rever o meu ídolo. O filme foi um dos melhores que Ronald Colman fez e se chamava "Na Noite do Passado", onde ele perde a memória por causa da guerra e é ajudado por uma mulher, que era interpretada pela bonita Greer Garson. Não preciso dizer que chorei durante quase toda a sessão. E vou confessar outra coisa. Levei na bolsa uma foto com moldura e tudo do Ronald Colman. Naqueles tempos, a gente escrevia para os astros do cinema e eles mandavam para você uma foto com dedicatória e tudo. Ele escreveu meu nome e tudo em inglês e a dedicatória era "Para a minha jovem e querida fã brasileira". Pode parecer bobagem para muitos, mas eu acho que a gente era inocente e romântica naquela época, bem diferente das pequenas de hoje. Que saudade eu tenho!