Sumba: a literatura
nunca mais será a mesma

Como antecipei a vocês na minha última coluna, fui um dos convidados especiais da Feira do Livro Alternativo,Interativo, Virtual e Físico, que se realizou na exótica e ensolarada ilha de Sumba, na Indonésia,no mês passado. Para meus ilustrados leitores terem uma idéia de como é encantador este lugarejo, às margens do Oceano Índico, basta dizer que as mordomias dos patrocinadores se acabaram 20 dias atrás, mas resolvi ficar mais algumas semanas, pagando tudo do meu próprio bolso, de tão fascinado que fiquei com o local e os sumbaenses, figuras intensamente hospitaleiras. Sobre esse assunto, prometo escrever em detalhes na próxima coluna.

Mas a emoção maior que me dominou, durante a Semana do Intelectual Underground, Literal e Virtual, foi ser apresentado a um dos gigantes das letras mundiais da atualidade, Norman Leigh Bates, o jovem escritor americano de 39 anos, autor do intenso e assustador romance gótico "Robert Stefano Bloch, the Twisted Mind of a Cerebral Killer". Para se ter uma idéia, fiquei tão emocionado e nervoso, minha pernas tremiam tanto, que mal consegui dirigir uma palavra a Bates. Civilizado e perceptivo, estendeu a mão para mim e brincou: "Take it easy, man, I'm not going to kill you in the shower. Just relax". Traduzindo, ele disse: "Calma, cara. Não vou matar você no chuveiro. Relaxe". Foi uma brilhante ironia dele com o filme clássico que escreveu, "The Round of Music", estrelado por Julia Trapp Andrews, entre os mais excruciantes suspenses que o cinema já mostrou.

Mas estou falando demais de cinema, território do nosso brilhante Jean-François Silva. Voltemos aos livros.

Realizaram-se também em Sumba 163 seminários e 98 palestras de escritores de 86 países. Algo indescritível em matéria de literatura e cultura, que necessitarei de pelos menos 50 colunas como esta para tentar dar uma idéia ao leitor. Após o evento de Sumba, a literatura jamais será a mesma. Houve ainda um momento de emoção inenarrável quando subiu ao palco do workshop "Esses Gênios Literários Que Nos Assombram e Fascinam Há Tantos e Tantos Séculos" ninguém menos que Bette Margo Channing, suprema romancista sul-africana, que numa surpreendente revelação saudou assim a estupefata platéia internacional: "O romance de papel morreu. Hello videobook". (continua)