PAS, UAU, HEI e UAI
vão lançar candidato
próprio a presidente

Por Nicodemo Marinho Robespierre
Editor de Estilo da Sucursal de Maceió

Os dirigentes de quatro partidos pequenos, reunidos ontem numa pizzaria em Brasília, anunciaram que chegaram a um acordo para lançar seu próprio candidato a presidente nas eleições deste ano."Vamos pôr um fim a este viciado sistema extrapolítico e extrapartidário que, entra ano, sai ano, lança sempre as mesmas figuras, as mesmas e viciadas idéias políticas, a mesma falta de pudor em se apossar do dinheiro público", afirma Varney Maranhão Eveloam, presidente do Partido da Ação Social (PAS). "Só as caras mudam, mas a filosofia, se é que existe alguma, é sempre a mesma:manter as coisas como estão".

Ao lado dele, Julio César Zavardal, secretário da União Autêntica Universal (UAU), concorda com a tese do companheiro e diz que o eleitorado vota nas pessoas erradas por não ter escolha melhor. "Mas nossa união pretende acabar com isso para sempre. Será uma renovação como nunca se viu neste país", garante Zavardal.

Hélcio Silvrestrini Bugiardo, presidente do minúsculo Hegemonia Existencial e Intelectual (HEI), que conta com 35 associados em todo o Brasil, não se importa quando é acusado, como já aconteceu várias vezes em Brasília, onde nasceu seu grupo político, de dirigir um punhado de "obscuros anões sem rumo". Ele não se perturba nem mesmo quando um repórter lembra que foi seu atual aliado, Varney Maranhão Eveloam, quem chamou seu partido de "nanico e corrupto".

"A história política, social e econômica do mundo está repleta de exemplos, de pequenos grupos e partidos que começaram com poucos associados e em pouco tempo assumiram o poder, mudando a face de vários países", defende-se Bugiardo. Ele explica que a filosofia de seu partido é privilegiar a cultura, o existencial e o potencial do homem e que o nome que irá propor como candidato a presidente do Brasil será uma grande surpresa, capaz de abalar a política nacional.

"Nossos quatro partidos chegaram por fim a um consenso, depois de dezenas de reuniões e debates", ele diz . "Na reunião de hoje, selecionamos, por fim, três nomes do mais alto gabarito moral e intelectual. O meu candidato, e do meu partido, é filósofo, escritor, poeta, jurista e economista. O nome não posso declinar por enquanto, mas tenho certeza que o país vai se surpreender e votar maciçamente nele", garante Bugiardo.

Mineiro autêntico

Mais pragmático e "com os pés firmemente no chão e na realidade política brasileira" , como garante, é Bernardino Ramati Franco, fundador e dirigente do União e Ação Integral (UAI), o mais conhecido e representativo dos quatro grupos políticos.Fundado em Belo Horizonte o mês passado, por nada menos que 87 dissidentes de oito partidos, o UAI, segundo afirma Franco, tem como pedra fundamental a renovação, a integridade, a mudança e a revolução na política partidária e suprapartidária. Ele contesta indignado que seus membros sejam "a fina flor do fisiologismo mineiro", já que são todos oriundos de outros partidos.

"É uma acusação gratuita, inventada por esse caquético coronelão da política estadual , Jurandir Anazatar Magalhães Carvalhal, que apesar da idade e das idéias ultrapassadas ainda continua metendo a colher nos destinos de nosso estado.Mas ele não perde por esperar", ameaça Franco. "Quando lançarmos nosso candidato, essa múmia será alijada para sempre e o povo conhecerá uma nova e vibrante liderança política, intelectual e moral".

Com um sorriso irônico, Franco explica: "Põe aí no seu jornal que o Marreta (ele explica que é esse o apelido do seu rival político) está com os dias contados" E finaliza: "Política, ironia e experiência são comigo mesmo. Sou mineiro, uai".