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Bailarina brasileira foi amante de Bin Laden
Cher
Bin era homem
de paixões violentas
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Capítulo 4 -
Por
Anthony Charles Carpi
Exclusividade para o SacolãoBrasil
na América Latina
Sei
que muitos gostariam de ouvir meu longo calvário com as
drogas, especialmente aquela flor destruidora, a papoula, de onde
se extraem mil demônios, alguns anjos e algo chamado ópio.
Mas não vou cansá-los com essa trágica experiência,
que durou anos e anos e roubou grande parte da minha juventude
e beleza. E todo o dinheiro que juntei.
Escrevo estas linhas, que vão fazer parte das memórias
que pretendo um dia publicar, no quarto do meu hotel, um quarto
acanhado, modesto, só com as coisas essenciais para eu
viver nele. Dinheiro? Já tive bastante, em anos mais jovens,
de beleza e sedução, em que os homens olhavam para
mim e diziam tudo, com os olhos e com a boca. Na maioria das vezes,
eram olhares e gestos obscenos, que de início faziam bem
para minha vaidade e logo me conquistavam e me proporcionavam
uma vida de emoção e luxúria pelos locais
elegantes e caros de Paris. Um desses olhares era de um homem
rico, entre as maiores fortunas da França, industrial conhecido,
poderoso e generoso com aqueles que podem lhe brindar com mais
poder, sexo e lucros.
Vou chamá-lo de Laurence X., pois revelar seu nome verdadeiro
seria minha sentença de morte, mesmo sendo eu agora apenas
uma sombra do que fui no passado. Mas seu olhar seguro e penetrante,
sua presença marcante, seus cabelos que começavam
a se pratear, me conquistaram imediatamente. Outra coisa foi decisiva
também: ele conseguia ópio tão facilmente
como se encomenda uma pizza ou um refrigerante no bar ou no restaurante
da esquina. Ficamos juntos por dois anos e enquanto viver jamais
esquecerei o tempo maravilhoso que passamos juntos em sua linda
mansão em Antibes. Como tudo que é bom, e ruim também,
Laurence um dia se foi. Como surgiu, de repente, inesperadamente.
O
homem do bar do Ritz
De
volta a Paris, consegui alugar um pequeno apartamento num bairro
de classe média. Laurence, generoso, me presenteara com
francos e dólares.Não muito, mas o suficiente para
viver em sossego por alguns anos. Isto é, se o ópio
não fosse também meu companheiro, conselheiro e
inimigo de todos os dias. Era 1988, os anos 80, talvez os melhores
da minha vida, chegavam ao fim.Eu tinha, apesar de tudo, ambiciosos
planos para o futuro. Aos 37 anos, era ainda bonita, atraente
e, segundo um general francês, que se tornou meu amante,
possuía "aquela exuberância sensual e desafiadora
das sul-americanas". Eu acreditava porque sabia que era isso
mesmo.
Então, uma tarde, acabara de pedir a conta ao garçom,
no bar do Hotel Ritz , meu local predileto em Paris, quando percebi
que alguém me olhava intensamente na mesa em frente. Era
um homem magro, diferente de tudo que já vira, os olhos
fundos, o rosto marcado por algumas rugas profundas. Havia algo
ameaçador nele, que somente descobriria meses depois. Meses
de paixão, ameaças e tormentos.
Olhava disfarçadamente para ele, fingindo que procurava
algo além de sua mesa, e tive certeza de que eu era sem
dúvida o alvo de sua atenção. Estava vestido
sem luxo, mas com elegância e cuidado. A barba era a mesma
de hoje, um pouco menos longa e certamente bem mais escura, negra
como seus bem-cuidados cabelos. Subitamente, levantou a taça
de champanhe que bebia e fez um aceno cortês para mim.
Memória
truncada
Neste
ponto do diário de Maria das Graças Aymé,
a Papoula, as lembranças são confusas, interrompidas,
há longos trechos em branco. Talvez sejam páginas
perdidas de seu diário, talvez tenha escrito sob os efeitos
do ópio, quem sabe. Não se pode tentar juntar com
ela o que falta, o que está truncado.Como fazer isso com
alguém cujo diário eu roubei? Várias páginas
adiante, ela prossegue com suas memórias, já então
com Bin Laden fazendo parte intensa de sua vida (Anthony Charles
Carpi).
Não
sei ao certo até hoje o que o deixou tão furioso
naquela noite. Ele gritava, agitava os braços, apontava
os dedos longos e finos para mim, aparentemente me acusando de
algo. Misturava inglês, italiano e árabe, pelo que
pude entender. Parecia enlouquecido. Na minha vaidade, e hoje
acho que eu tinha razão, Cher Bin, como o chamava, estava
com ciúmes! E logo do meu vizinho, um ator de teatro bonzinho
e inofensivo, com quem eu mantinha fraterna amizade e que eu abraçava
e beijava inocentemente. Bin deve ter visto algo assim naquele
dia.
De repente, ainda esbravejando, ele se aproximou, rasgou meu vestido
de alto abaixo, num gesto violento, e me atirou na cama como se
eu fosse uma boneca de pano. Pulou sobre mim, me deu um tapa no
rosto, não muito forte, mas dolorido, disse algo em árabe,
que soou como um poema ou coisa assim, e começou a fazer
sexo comigo. Era bom o que sentia por ele, na cama e fora dela,
mas seus ataques de ira e violência me aterrorizavam.
Na próxima edição, Maria das Graças
Aymé revela: "Uma noite, na cama, ele disse: 'Vou
abalar o mundo!'"
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