Projeto revolucionário
para casas com favelados

Acabo de voltar de uma viagem de várias semanas pela Europa, onde visitei 12 países, para entrar em contato com arquitetos, urbanistas e decoradores. Foi uma experiência enriquecedora, para dizer o mínimo, caros leitores. Na Suécia, conheci e entrevistei Gammal Gurka, considerado um dos maiores arquitetos do mundo, cujos ensinamentos pretendo publicar numa das próximas colunas.

Na Alemanha, fui a uma conferência do grande urbanista e paisagista Baum Künstlich, que falou com a habitual profundidade sobre diversos assuntos, um deles, de tirar o fôlego, sobre a Amazônia.

Mas foi na França que tive a experiência mais enriquecedora de todas. Um daqueles momentos que fazem toda uma vida valer a pena, pois, como decorador e arquiteto, nunca esqueci as palavras de meu mestre na faculdade, Rino Leve Grapius, que encerrava todas as aulas com esta máxima:"Lembrem-se, sua missão maior é botar os pobres entre quatro paredes e sob um teto".

Pois bem, foram estas sagradas palavras que me vieram à mente quando fui apresentado em Paris ao arquiteto e decorador Jean-Antoine Gaspillage, que influenciou várias gerações de especialistas em todo o mundo e continua ainda hoje uma presença marcante, aos 98 anos.

Em nossa conversa de pouco mais de 15 minutos, aprendi mais com Gaspillage do que durante meses e meses nos bancos da faculdade. Que sabedoria, que percepção das coisas atuais e futuras! Imagine minha surpresa, prezado leitor, quando o grande mestre mostrou que sabia tudo, mas tudo mesmo, sobre as coisas do Brasil, particularmente sobre as favelas nas nossas grandes metrópoles. Imaginem também meu espanto quando ele me entregou um detalhado projeto sobre a fabricação em massa de casas geminadas e de custo reduzido para a população de baixa renda, notadamente os favelados! Adianto uma de suas idéias: o material a ser empregado nas casas é o mesmo que os favelados usam atualmente! É esta obra revolucionária que pretendo apresentar em primeira mão aos brasileiros na próxima coluna. Aguardem.