Rock em Marte provoca
debate no meio musical

Por Lilly Dafodill Vasconcellos
Editora de Hortas, Jardins e Adubos

A notícia de que a Agência Espacial Européia(ESA) vai incluir uma música de rock no foguete Beagle 2, que deverá entrar na órbita de Marte em 2003, está causando inflamados debates no mundo musical internacional. O grupo escolhido é o conjunto inglês Slurp, que já está preparando a música para incluir na cápsula espacial e vai se chamar "Take this, Red Planet Shit".

Lax James, baixista e líder do Slurp, diz que há várias semanas o grupo se reúne,dia após dia, até altas horas, compondo e discutindo a música que pretendem oferecer à ESA. "Temos consciência de que será, em primeiro lugar, uma grande honra para nós.Depois, uma grande responsabilidade, já que levaremos ao espaço e, quem sabe, a outras civilizações, um exemplo da cultura musical do nosso planeta Terra. Cara, estamos cientes do que nos espera. E tenho certeza que cumpriremos nossa missão dignamente".

Gunther Dagobert Leprechaun, entre os mais respeitados compositores dodecafônicos da Alemanha, está indignado com a escolha. "Rock?!", ele pergunta indignado. "E que diabos é Slurp? É um insulto à nossa inteligência e ao que resta da música séria e responsável em nosso planeta, permitir que um desses vírus de rock que assolam a humanidade seja lançado ao espaço e nos represente no grande Infinito. Protesto veementemente. É uma degradação, o fim dos tempos!", afirma irado Leprechaun.

Invasão marciana

Cole Rodgers DeHart, um dos mais bem-sucedidos compositores americanos da atualidade, que tem em seu crédito 14 shows entre os mais populares da Broadway em todos os tempos, embora não tão radical quanto Leprechaun, faz também suas reservas à escolha do grupo Slurp.

"Se aqui na Terra há lugar para todo mundo, até mesmo esse Slurp, do qual nunca ouvi falar, imagino que haja muito mais ainda lá nas alturas. Mas acho que deviam escolher algo mais melodioso e inteligente".

Zeca Braguinha, entre os mais populares compositores brasileiros de todos os tempos, também acha que a escolha da ESA é bastante infeliz. "Pelo amor de Deus, gente, o que é isso?", ele reage ao saber da notícia. "Não acredito que, com tanta gente boa no mundo musical internacional, vão escolher esses bate-estacas que ninguém conhece, só meia-dúzia de zé-manés e esses jornalistas mirins de cadernos de variedades que vivem enfiando rock pela goela abaixo do público mais imbecil. Não preciso conhecer esse tal de Slurp, tá na cara que é coisa pra cabeças de bagres. O maior perigo que vejo é algum marciano ouvir essa droga de música e decidir invadir a Terra como vingança", diz Zeca Braguinha com um sorriso de ironia.