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Como
quase todo o Brasil não ignora, o sucesso do show de televisão
Casa dos Artistas trouxe fama e dinheiro para muita gente, principalmente
para a emissora que o apresentou. Mas trouxe também nefastos
exemplos e seguidores.E críticos ferozes. O escritor e
filósofo Sidônio Lanet Amorim, por exemplo, definiu
o programa como "misto de voyeurismo escatológico
com ninho de cobras criadas e malcriadas".
Os altos índices de audiência alcançados pelo
programa, que deixou na rabeira a até então inabalável
emissora líder (dizem que sua cúpula continua boquiaberta
e furiosa até agora), despertaram a cobiça de muitos,
que criaram, ou estão criando, clones, cópias e
imitações baratas daquele programa. São os
monstros que estão saindo do armário da sinistra
casa.
Acabo de saber que a Rede BrasilShow, que nunca primou pela qualidade,
e talvez por isso se mantenha no quinto lugar na audiência,
e não no último, vai lançar brevemente uma
cópia do Casa dos Artistas. O show já tem três
programas gravados e, como era de se esperar, não só
o conteúdo, mas também seu nome, é um horror:
Casa dos Nortistas.
Como é feitio da emissora, o novo show será endereçado
principalmente à periferia mais pobre, notadamente à
comunidade de nordestinos e nortistas.O título do show
é não apenas uma apelação como também
exemplo de preconceito racial e social, que deve merecer a repulsa
de todos. São os primeiros monstros que estão saindo
do armário da sinistra casa. Quantos outros virão?
Mas
o que fazer quando, segundo meu informante, da cúpula da
própria Rede BrasilShow, nada menos que 6 mil pessoas apareceram
para a entrevista que selecionou os 20 candidatos fixos do programa?
Uma legião de iludidos, miseráveis e sonhadores,
de olho nos prêmios secundários e principais que
serão distribuídos aos dez primeiros colocados.
Sabe, paciente leitor, quais são os prêmios? Uma
viagem de ônibus, ida e volta, a Caruaru, para duas pessoas.
Um fim de semana em uma pensão de Caraguatatuba, em São
Paulo, ou na praia de Ramos, no Rio, para quatro pessoas.Cem quilos
de carne seca, 50 de farinha de mandioca, 15 de feijão,
10 de arroz e 140 CDs do trio caipira Zé do Pito, Rocinha
e Macaxeira. O prêmio principal, que considero nada menos
que uma ironia (e um escárnio), para dizer o mínimo,
é um home theater completo, no valor de 20 mil reais! Para
não deixar o caro leitor ainda mais indignado, prefiro
não contar quais são as tarefas humilhantes que
aguardam os concorrentes. Pobre televisão, pobre Brasil!
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