| A
vida noturna não está bolinho
Por
Mr. Shadow
Gente,
a noite não está fácil! A crise atingiu praticamente
todos os segmentos, desde as casas de alto luxo até os
barzinhos de beira de calçada. Você pode perguntar:
se existe crise, por que aqueles locais com mesas nas calçadas
andam tão cheios, principalmente no fim de semana? Eu respondo,
com base em pesquisa que fiz com os donos de 15 bares, choperias
e restaurantes.
Benedito Bend, dono do simpático Overprice, se queixa da
queda no número de clientes que teria caído em mais
de 35% nos últimos dois meses. "Para você ter
uma idéia, baixei o preço da minha caneca de chope
de 5 reais para 4,80", ele conta. Diz que a dose do uísque
nacional, que custava 17, foi forçado a reduzir para 15,40.
"Eu e outros donos de bares e similares estamos vendo o futuro
com muita preocupação".
Basílio Moys, dono do luxuoso Hafiza, garante que a clientela
caiu em mais de 20% e, para atraí-la de volta, foi forçado
a fazer uma radical redução na maioria dos pratos.
"Nossa maior atração, abeille aigre, um prato
refinado, de difícil execução e ingredientes
caros e por isso de preço alto, teve uma redução
de 30%", ele explica, informando que agora custa modestos
250 reais.
A situação não é melhor nos locais
freqüentados pelo público jovem. No Potage Aigre,
especializado em sopas, os preços caíram para mais
da metade. A sopa mais procurada pelo publico, conhecida como
souris froid, que custava dois reais, está agora a um real.
Pierre-Louis Betterave, o proprietário, lamenta a crise
e
afirma que, se não baixar os preços, o público
foge.
Até mesmo meu velho amigo Abdul Yasrik, dono do boteco
TomeiTodas, confessa que foi forçado a comprar pinga de
qualidade inferior para enfrentar a crise. "E sabe de uma
coisa?", ele confessa. "Quase ninguém nota a
diferença. Quem reclama, eu sirvo pinga da boa".
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