| Quando
eu era um jovem colunista social em Roma, onde nasci, fui apresentado
ao célebre maestro Giovanni Sonnelino. Além de seu
gênio musical, ele era um homem sábio, que se fez
sozinho, e lutou muito para sair da miséria em que vivia
quando adolescente num bairro pobre de Milão. Em pouco
menos de 20 anos, tornou-se um dos maestros mais conhecidos em
todo o mundo. Ele me disse que um bom empurrão na vida
ou na carreira depende de se conhecer a pessoa certa. Ele teve
um padrinho de peso, o senador Egidio Fango Lucertola, entre os
homens mais poderosos do seu tempo, que, impressionado com o talento
de Sonnelino para a música, decidiu ajudá-lo. O
resto, todo o mundo já sabe.
Tudo isso me voltou à lembrança, tantos anos depois,
aqui na minha segunda pátria, o Brasil. Foi durante uma
festa recente em Brasília, na bela mansão do senador
Paulo Emílio Far Kabir, a quem devo muitos favores. Um
deles, a minha atual ocupação, a de oficial de gabinete
do próprio senador. Não fosse por ele,eu seria hoje
apenas um colunista social, para confessar a verdade.
Tudo o que sei, tudo o que ganhei devo ao senador, homem generoso,
que nunca se furtou a ajudar os necessitados, principalmente os
amigos.
Relembrando na festa o episódio do passado para um grupo
de parlamentares e importantes empresários do ramo da construção,
turismo e produtos farmacêuticos, todos ficaram impressionados,
e alguns até se emocionaram com o meu relato. E confessaram
também que, não fosse o senador, não teriam
chegado ao topo de suas carreiras. Foi quando me ocorreu o seguinte:
que tal todos nós surpreendermos Far Kabir com uma justa
homenagem em plena festa? Todos concordaram imediatamente. Sem
que o senador percebesse, nos aproximamos, iniciamos uma estrondosa
salva de palmas, logo imitada por todos os que estavam na recepção.
Foi um justo reconhecimento a tudo o que devemos a ele. Homem
sensível que é, Far Kabir se emocionou até
às lágrimas. E não me envergonho de confessar
que eu também chorei muito, abraçado com a esposa
do senador, Larissa, minha querida cunhada.
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