Bailarina brasileira foi amante de Bin Laden

- Capítulo 1 -

Por Anthony Charles Carpi
Exclusividade para o SacolãoBrasil na América Latina

As confissões da ex-bailarina brasileira Maria das Graças Aymé,conhecida agora em Paris como "A Papoula", desde o seu regresso amargo do Afeganistão, no final de outubro de 2001 , seu empenho para libertar-se do vício do ópio, como ingressou no grande mundo da moda pelas mãos de uma princesa iraniana exilada, que acaba de falecer ,e o incrível relato de seu caso amoroso com o homem mais procurado e odiado do mundo. Tudo será contado aqui agora, no que se pode chamar de um "furo" internacional.

Este é o primeiro capítulo de seu diário, onde ela relata como viu pela primeira vez Bin Laden no pub do Hotel Ritz. Aconteceu nos anos 80. Era abril em Paris. Ela se recuperava de uma abstinência de seis meses e bebia solitária, olhando aquele rosto penetrante na mesa em frente, o queixo longo e o jeito pausado de levar o copo à boca. O mais impressionante nesta história, escrita sob a forma de diário, são os dados pessoais sobre o então jovem saudita muçulmano Osama Bin Laden e sua vida luxuosa na capital francesa.

Este amor louco , mais do que varrido, foi vivido entre copos de vinho,o champanha e refeições nababescas, algum tempo em palácios com suítes de mobiliário do século 18, belos jardins,halls e banheiros esbanjando preciosos mármores. Bin ainda não era o fanático de que se fala, embora até hoje aprecie a água mineral francesa.Ela era ainda Maria das Graças, quando conheceu o Hotel Meurice, na Rue de Rivoli, com paredes cobertas de vermelho e ocres dos Pirineus, e branco e cinza de Carrara. Suíte presidencial com vista para o jardim por 1.000 dólares naquela época. Agora, com a crise hoteleira no mundo e a quebra das companhias de aviação a diária deve estar mais em conta.

Jornada erótica

O casal se hospedou no Meurice para a primeira noite de amor.Osama tinha horror de ficar por muito tempo num mesmo lugar e, em companhia de Maria das Graças, bailarina em ascensão, passou também pelo Hotel Raphael, na Avenue Kleber, onde hoje um casal em lua de mel paga US$ 530 para os dias 30 e 31 de dezembro, com direito a champanha.Só e mais nada.Era verão,o casal fazia a ceia admirando Paris do terraço no sétimo andar. Osama usava elegantes trajes ocidentais e tinha polpudas somas em diferentes bancos por conta da herança do pai.Sua menor gorjeta era uma nota de 100 dólares.Uma festa para garçonetes, porteiros e maîtres. Os hotéis Crillon, Le Bristol, Plaza Athénée e ainda o velho Ritz, onde os dois se viram pela primeira vez fazem parte desta jornada erótica que deve ter demorado com toda certeza mais de nove semanas e meia de amor. Maria das Graças revela agora estar atravessando a faixa dos 40 anos, mantém ainda fortes traços de beleza e narra sua fuga do Afeganistão,então dominado pelos talibãs, graças à Sociedade do Vermelho Crescente, equivalente à Cruz Vermelha nos países islâmicos.Ela está um pouco fanada, é verdade, com mecha de cabelos brancos que diz ter pintado. A clínica onde se internou, depois de sua temporada inútil e baldada por uma terra inóspita e arrasada, em busca do seu grande amor,foi destruída há dias quando os EUA retomaram os ataques pesados utilizando bombardeiros B-52 contra o Talibã.

É importante que se conte como a história de A Papoula (cujo pseudônimo artístico,Alina Chanzir, quer dizer "carne de porco" em árabe) veio parar na redação do SacolãoBrasil e quem é o repórter fotográfico Anthony Charles Carpi, que surrupiou não faz muito tempo o diário de Maria das Graças, que agora vive modestamente em Paris num pequeno ateliê, em companhia de uma amiga, sem coragem de ir buscar os cinco mil dólares mensais que há anos bate em sua conta.Motivo: temor de ser envolvida na chamada rede de terrorismo mundial que teria sido arquitetada por Osama Bin Laden.

Os abutres se entendem

Ela está sem dinheiro até mesmo para comprar ópio e Anthony Charles deixou-lhe apenas três notas de1OO dólares sobre a mesa de cabeceira de seu modesto ateliê ao sair levando o seu diário. Antes fez uma foto dela dormindo, roubou seu álbum de recordações e cartas de amor entre ela e Bin e muitas fotos do casal no esplendor dos anos 80. Por conta dessa falta de escrúpulos ele vendeu o diário e as fotos para um jornal sensacionalista de Londres, que pagou ao repórter 5 mil dólares. Ele ainda está em Paris em busca de algum jornal que lhe sustente a aventura de correspondente internacional, pelo menos até a fronteira do Paquistão, onde os repórteres, por falta de notícia – longe do campo de batalha – já se entrevistam uns aos outros. É o tédio das guerras modernas, que o jornalista cobre melhor do quarto do hotel ou da mesa de um bar onde trocam informações. É o sindicato da mentira dos correspondentes, cada um querendo passar o colega para trás com despachos imaginários. Seu sonho é figurar na história do jornalismo, ganhar muito mais do que cinco linhas no obituário da imprensa mundial, caso venha pisar numa mina lá no Afeganistão. O tempo se esgota para Anthony Charles, assim como para "A Papoula "adormecida. Ele não tem livros à cabeceira da cama, mas jornais sensacionalistas de todo o mundo e um exemplar de"A Primeira Vítima" (The First Casualty), de Phillip Knightley, traduzido no Brasil pela escritora Sonia Coutinho para a Editora Nova Fronteira há anos. É a história de correspondentes de guerra tidos como heróis, propagandistas e fabricantes de mitos, desde a guerra da Criméia ao Vietnã. No encalço de Anthony Charles estão outros repórteres do jornal londrino para corroborar sua história ou aplicar-lhe uma surra. O Times e o Sunday Times nem quiseram recebê-lo.Já conheciam as façanhas de Anthony Charles e suas gabolices.Mas a imprensa amarela londrina foi na dele.Até agora não localizou A Papoula em Paris, mas comprovou a veracidade do diário. Os abutres se entendem e sempre deixam um naco de carne ainda por apodrecer.

A seguir, no capítulo 2, o repórter Anthony Charles Carpi revela: De Brigitte Bardot ao terrorismo.