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Um
bom e divertido amigo meu, que a Aids matou, era o travesti Fast
Food. Nunca consegui descobrir o nome verdadeiro dele. Só
sabia que era de uma importante família e talvez por isso
preferia ser chamado pelo apelido. Era um gozador e também
uma pessoa séria, quando o assunto era sério. Quando
nos encontrava na boate onde ela fazia seu show, já chegava
brincando e saudando a gente assim: "Boa noite, filhas da
noite e das trevas!" Depois, sentava na mesa com as meninas,
esperando a hora de entrar em cena, e sempre nos lembrava: "E
aí, garotas, vamos ou não vamos fundar o nosso sindicato?"
Ele dizia que somente se a gente se unisse poderia conquistar
o nosso e o respeito dos outros que não são do ramo.
Nunca me esqueci do Fast Food.
Outro dia me lembrei muito dele quando um grupo de moças
da noite me procurou em casa para ser a patrona do movimento delas
para fundar um sindicato das prostitutas. Elas queriam também
que eu fosse a porta-voz do grupo. As moças leram no jornal
que as prostitutas da Holanda saíram às ruas para
conseguir esse velho sonho. E por que não fundar um aqui
no Brasil? Por que não, sim senhor? Aceitei de cara. Depois
volto ao assunto. E peço que vocês leiam com atenção
a matéria sobre o assunto que está na primeira página
desta edição.
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