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Passei
dois anos num curso de pós-graduação na Bélgica,
cuidando das coisas da mente. Afinal, apesar da minha especialidade
e do título da coluna, nem tudo é coração
ou emoção. Sentir é bom, mas pensar, deduzir,
intuir também são. Mas chega de conversa, caríssimos
leitores e leitoras. Estou de volta à coluna e aos conselhos.
E eis o primeiro deles:
"Em
primeiro lugar, bem-vinda. Eu estava sentindo sua falta, e como.
Agora, já estou mais aliviada com o seu retorno. Meu caso
é delicado, creio que de difícil solução,
mas quem sabe sua sensibilidade não poderá resolver.
É o seguinte: Fiquei viúva muito cedo, aos 24 anos,
e meu marido me deixou considerável fortuna. Todos me consideram
muito bonita, tenho um belo corpo, muita vontade de voltar à
vida normal e aproveitar bem o dia-a-dia. Afinal, dinheiro não
falta. Mas desde a morte do meu marido, e a bem da verdade, até
bem antes, eu sentia atração por uma vizinha, uma
modelo da minha idade, não tão bela, mas bastante
compreensível e muito, muito sexy. Pelo menos na minha
opinião. Chegamos a conversar algumas vezes, mas nada muito
importante. Mas percebi seus olhares de desejo por mim também.
Descobri que ela luta com dificuldade, seu salário não
é lá muito alto, mas tenho certeza que poderei ajudá-la
com meu dinheiro. Não quero humilhá-la. Mas meu
medo maior é me apaixonar (o que praticamente já
aconteceu) e levar um fora dela. O que devo fazer? - Viuvinha
Carente, Juiz de Fora, MG.
Querida
e indecisa Viuvinha Carente. Seu caso é delicado,
sem dúvida, mas não sem solução. Pelo
contrário. Quando se trata de coisas do coração,
o melhor a fazer é abri-lo. Vá até a sua
vizinha, ponha as cartas na mesa, diga que gosta dela e veja sua
reação. Com o tempo, ofereça a ajuda monetária.
Tenho certeza que não recusará. Caso não
dê certo,meu anjo, venha até minha casa para conversarmos
com mais detalhes e de corações ainda mais abertos.
Beijos mil.
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