Nem tudo é sério neste mundo

Um leitor escreveu para o jornal dizendo que o caso que eu contei na edição passada é uma piada antiga que ele já conhecia e que eu publiquei como tendo acontecido comigo de verdade. E daí? Confesso que não aconteceu como contei, pois eram três orientais, e não cinco. Se meu caso parece piada é porque muitas vezes a nossa vida na noite nem sempre é dramática, tem também seu lado engraçado. Se não fosse assim, a gente não ia agüentar, é ou não é? E depois, os clientes nos contam centenas de histórias, casos, confissões, desabafos, dramas e piadas que muitas vezes a gente confunde as coisas, nem se lembra mais o que é verdade e o que não é.

Então, aproveito a dica para contar uma piada que a gente chama "do ramo". Quem me contou essa foi um ex-ministro, cliente antigo meu, homem muito sério e discreto, mas bastava tomar um uísquezinho que se abria todo e começava a falar besteira e contar piadas. É assim: num bordel do interior, muito sossegado, chegou um desses caras metidos a machão e foi logo anunciando que ia dar 500 reais para a menina que quisesse ir com ele. O cara foi logo rodeado de mulheres que brigavam para ganhar o dinheiro. Aí ele disse que tinha uma tara. A palavra assustou todas elas, que desistiram da oferta. Tara, não, a gente já conhece, elas disseram.

Mas sobrou uma garota muito jovem, novata na casa, que disse que fazia qualquer negócio por 500 reais. Estava indo pro quarto e as amigas disseram para não entrar nessa, que era coisa perigosa. Mas o cara mostrou o dinheiro e ela não resistiu. Fecharam a porta do quarto, as moças ficaram lá ouvindo preocupadas. Passou um tempão e de repente começou a gritaria. A novata berrava tanto que já iam arrombar a porta quando o cara, todo vestido, veio saindo, e foi embora. As garotas entraram, o quarto estava todo arrebentado, a moça caída no chão, depois de apanhar muito do malandro. Socorreram a garota e lembraram para ela nunca mais entrar nesse papo de tara que é muito perigoso. Uma delas perguntou: "E ele te deu os 500 reais?" Ela disse que sim e outra perguntou: "E qual é a tara dele?" Aí a mocinha, chorando muito, respondeu: "A tara é que ele bate na gente até devolver o dinheiro".

Agora pergunto ao leitor que criticou a minha história do número passado: Já conhecia essa? E seu eu disser que aconteceu com uma amiga minha? Verdade ou piada? Quem pode garantir?