Muçulmanos de ontem e de hoje

Como todo mundo, assisti horrorizada às cenas de destruição e maldade que aconteceram mês passado na bela metrópole de Nova York. Estive lá em 1939, por ocasião da feira mundial que se realizou na cidade. Grandes recordações eu tenho daquela viagem e de Nova York também, onde nunca mais voltei, infelizmente. Mas isso é outra coisa, um dia eu conto para vocês.

Eu estava na casa de minha amiga, Clotilde, quando a televisão mostrou aqueles horrores todos. Hoje, várias semanas depois do ocorrido, ainda estremeço com aquilo, mas também fico preocupada com o desejo de vingança de muita gente em todo o mundo contra os muçulmanos. Não quero dar lição para ninguém, mas gostaria de contar um caso que situa a contento minha posição e das minhas amigas sobre isso.

Eu e outra muito cara amiga, a Lúcia Helena, saímos do Rio e fomos um dia visitar o magnífico Hotel Quitandinha, na bela Petrópolis.Era 1944(meu Deus, como os anos voam, não?!), tinha uma guerra terrível no mundo e nós duas, muito jovens, só pensávamos em diversão, em arranjar algum flerte e até mesmo um namoro mais firme e duradouro. Então, fomos abordadas por dois homens, com as roupas tradicionais dos árabes, bigodudos e muito bonitos. Eles participavam de uma conferência internacional que ocorria no hotel, falavam mal o português, mas dava muito bem para a gente se entender. Nos convidaram para um drinque no lindo e amplo salão na entrada do Quitandinha. Sem pestanejar, aceitamos na hora. Éramos o que naquela época chamavam de "pequenas sapecas".

Certamente que não vou contar tudo o que aconteceu com a gente. Ainda hoje tenho um pouco de pudor, e a Lúcia Helena também. Mas ficou uma lembrança até hoje daqueles dois árabes, que se não eram uns refinados cavalheiros, pelo menos nos deram também lições de sabedoria e solidariedade humana. Então era isso que eu queria dizer. Não creio que em todos esses anos os árabes, os muçulmanos, ficaram mais malvados que o resto da humanidade. Claro que o mundo mudou muito e muito. Mas vamos nos vingar dos que são cruéis, não de todos eles, vocês não acham?