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Nestes
tempos difíceis, com o dólar devorando o real, os
aumentos devorando nossas economias e o governo devorando a todos
nós, nunca foi tão verdadeira e salvadora a equação
matemática "menos com menos dá mais".
Ela encerra também a filosofia basilar desta coluna e deste
colunista/economista que vos escreve. Procure o mais barato, o
menor, vá o mais longe que puder em busca do preço
mais acessível. Só assim seu orçamento caberá
em seu salário e vice-versa. Claro que sacrifícios
deverão ser feitos, afinal de contas, nós, da classe
média, temos de pagar a conta da corrupção
e da voracidade dos ricos e da gastança do governo.
Mas
chega de investir contra esses corruptos todos e vamos ao que
interessa. Meu velho amigo F.H.C. casado com A.C.M.(omito os nomes
em respeito à privacidade deles) , têm quatro filhos
e até dois anos atrás tinham uma vida relativamente
sossegada, economicamente falando. Ele,funcionário federal,
com ganhos na casa dos R$14 mil, juntava o seu salário
com o da mulher, professora, e chegavam a ganhar por mês
R$ 14.258,90. Dava para uma vida mais que folgada. Hoje, com um
filho na universidade e três no colegial, o orçamento
doméstico foi, como diz o povo, "para o espaço".
Mas esse casal decidiu lutar e seu orçamento,melhor dizendo,
foi para as ruas.
O que fizeram foi o que todas as famílias da classe média
deveriam fazer: F.H.C passou a vender esferográficas nos
cruzamentos e nos semáforos movimentados da cidade para
enfrentar os gastos. Sua mulher, minha querida A.C.M., com a engenhosidade
característica, começou a tricotar e fazer capinhas
de lã para as esferográficas que o marido vende.
Resultado: nos fins de semana os dois chegam faturar extras de
até 195 reais. Eis a lição: outros casais,
fora da realidade e dominados pela ambição, vão
para as ruas vender aparelhos de som, DVDs e até geladeiras.
Mas não meus dois queridos amigos: pensaram pequeno, com
realismo, e faturam alto com coisas menores. Eis a vantagem do
microcosmo. Vamos imitá-los, gente?
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