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200
fogem da penitenciária e
um volta feliz para a prisão
Por
Luiz Roberto Penaforte
Ciniro
Taveira Galvão, há 19 anos cumprindo pena no complexo
presidiário Carcereiro Nataniel Louvato Castor, na zona
leste, fugiu com mais 200 condenados na quinta-feira por um túnel
de cerca de 150 metros, cavado durante meses pelos presidiários.
A fuga em massa, a oitava acontecida este ano na penitenciária,
só foi percebida pelos guardas um dia depois. Equipes de
policiais foram acionadas em toda a região e as buscas
continuam até agora, estendendo-se até municípios
vizinhos. Mas nem um só preso foi capturado. Com uma única
exceção: Ciniro Taveira Galvão, conhecido
como "Fura-Fura". Só que ele voltou espontaneamente
para a prisão. "Olhei as coisas, passei um dia com
a família e foi o bastante pra ver como a barra ficou pesada
lá fora. Aqui é mais sossegado e menos perigoso.
Aí resolvi voltar. Estou muito feliz", ele confessou
aos repórteres.
Barra pesada
Considerado
um preso exemplar, "Fura Fura" já havia cumprido
quase toda a pena de 20 anos, por causa de três crimes de
morte, todos, segundo garante, em legítima defesa. "Nunca
fui de levar desaforo para casa, ainda mais quando tudo o que
eu queria era trabalhar em paz, ganhar minha vida para sustentar
a patroa. Mas sempre vinha um pra desafiar. Era ele ou eu. Então
eu não conversava e furava o cara". Segundo explicou
o diretor da penitenciária, Walfrido Gabriel Ganote, o
"trabalho" de Ciniro era de justiceiro, contratado pelos
comerciantes da favela Espera Sentado para eliminar os desafetos
e os marginais perigosos que apareciam por lá. Por isso,
Ganote explicou, "Fura Fura" deve ter ainda, após
todos esses anos, alguém esperando por ele lá fora
para se vingar. "Com medo, decidiu voltar para cá".
Ciniro nega que seja isso, e garante: "Bobagem, é
que eu gosto mesmo daqui, tenho amigos e nenhum inimigo. E para
provar isso, quando eu cumprir minha pena, vou pedir para ficar
aqui trabalhando na marcenaria. A barra lá fora ta preta",
ele afirma, se despedindo dos repórteres.
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