Celestino
Gavrilan, talvez nossa maior promessa na comédia cinematográfica,
está à procura de financiadores para seu mais
recente e com certeza mais criativo e divertido roteiro. Uma
história original sobre um pastor religioso que entra
em crise com sua fé, abandona o hábito e adquire
outros nada ortodoxos, em longa e atribulada caminhada pela
caatinga nordestina. Parece coisa séria, mas não
é. Só falta o dinheiro, e o título do futuro
filme já foi escolhido: "Assim Falou e Disse Zaratustra".
Por falar
no eterno drama da verba para a cultura, após "Sau
Paulu", há tempos parado por falta de dinheiro,
outro filme inacabado aguarda que caia do céu ou do governo
ajuda para ser completado. Trata-se de "Riu di Janeiru",
do jovem e promissor cineasta carioca Celestinu Raduu. Vamos,
minha gente, que tal ajudar o nosso brilhante e pobre cinema?!
Ely Matraqa,
diretor da distribuidora Runningempty, me garantiu que agora
é oficial: "Zhelúdok Pustóy",
grande vencedor do Festival do Filme de Humor da cidade croata
de Umoran Ljubav e uma das comédias mais brilhantes que
já vi, deve chegar aos nossos cinemas até o fim
deste mês. É uma muito divertida e inteligente
sátira aos velhos ídolos de Hollywood. Numa das
cenas, John Wayne (vivido pelo jovem e talentoso ator árabe
Chiar Taze) tem um desastroso e revelador encontro com Stravinsky,
Nabucodonosor e um unicórnio. Tomem nota e não
percam: é obra genial, cada vez mais rara por estas pobres
plagas cinematográficas.
Belarmino
Tchaniewisky, da distribuidora Bombe, envia convite para a pré-estréia
na quinta-feira de "Barbabietola", do grande cineasta
finlandês Pihvi Olut. Premiado em vários festivais
internacionais, este drama de intensa beleza e reflexão,
feito em 85, estava inédito entre nós até
hoje. Enquanto obras exponenciais são jogadas nas prateleiras,
as bombas hollywoodianas continuam explodindo em nossas telas.
O filme de Olut foi considerado pelo crítico belga Jean-Luc
Poulet como "uma das obras máximas do cinema, desde
Lumière e Ford Beebe". Programa imperdível,
já se vê.
Caso típico
de vandalismo cultural pode ser encontrado na edição
114 do jornal estudantil Gabarito A, da Faculdade de Letras
Mauritônio Assunção Morais.
Por galhofa
ou ignorância, os redatores criaram um troféu para
os filmes mais chatos do mês exibidos na cidade. O nome
do prêmio, bastante infeliz, é "Le Godard"
e o filme "premiado" foi uma pequena obra-prima, elogiada
em todo o mundo: o holandês "Slapen, Slapen, Slapen".
No mínimo
desanimador descobrir que nossa futura elite cultural não
tem o devido respeito e a reverência para as grandes personalidades
artísticas do mundo. Lamentável mesmo. No ano
passado, outra publicação de estudantes, O Picho,
já despertara igual repúdio, quando fez o mesmo
com o belíssimo drama servo-croata Padroban, considerado
"o mais cacete do ano" e ganhador do Prêmio
Chabrol.