Policial britânico acredita
em sua filosofia para
combater crime no Brasil

Por Gastão Carmody

John Reginald Christie, membro da força policial londrina, que apesar do cargo de inspetor gosta de usar o uniforme tradicional dos guardas de rua, foi escolhido pelo seu superior como chefe da equipe que virá ao Brasil para ensinar técnicas especiais no combate ao crime. "Bobby Joe", como se tornou conhecido nas ruas de Londres, apelido que ganhou por ser um "bobby", nome popular dos policiais fardados da cidade, tem 54 anos, é casado, pai de quatro filhos e esta será sua primeira viagem ao exterior, após 30 anos na profissão. "Tenho certeza que me sairei bem no Brasil, pois apesar das notícias sobre o crime e a violência nas grandes cidades, tenho métodos bastante eficientes para enfrenta-los", garante Bobby. Ele se orgulha de ter feito, ao longo da carreira, 3.254 prisões e solucionado 245 casos diversos, que vão desde roubos simples até assassinatos. "E sem jamais ter usado uma arma", faz questão de acrescentar. "Criminosos são criminosos e seres humanos são seres humanos em qualquer lugar do mundo, aqui em Londres, no Paquistão ou no Rio de Janeiro. Com a minha experiência e meus métodos, que envolvem basicamente a técnica de conversar, dando conselhos e orientação, acho que vou ter sucesso. Se funcionam há mais de 30 anos aqui em Londres, por que não darão certo também no Rio ou em São Paulo?", ele pergunta.

Favelas

Bobby afirma que desde que foi escolhido para a viagem ao Rio e a São Paulo, que faz parte de um convênio entre os governos dos dois países, tem lido tudo sobre a criminalidade no Brasil. Bem como está aprendendo português num curso intensivo. Em apenas três semanas, já fala um bom número de palavras, e até mesmo frases inteiras, claro que com sotaque carregado. Além dos inevitáveis "obrigado", "tudo bem", "como vai?" e "Meu nome é Bobby. E o seu?", ele fez questão de aprender também em português uma expressão que considera das mais importantes em sua futura missão no Brasil: "Hei, vocês, por favor, vamos resolver isso de forma civilizada!"

Embora as estatísticas sobre crimes entre os brasileiros sejam assustadoras, elas não o desanimam. "São apenas números. Claro que estão bem acima da média na Inglaterra", ele diz. "Mas números não me metem medo, nem as pessoas, por mais ameaçadoras que pareçam. Para provar isso, pretendo começar minha missão de vigilância e orientação pelas favelas do Rio, sobre as quais tenho ouvido as opiniões mais desencontradas. Gosto de desafios. Por que seriam mais perigosas do que aqui, no meu país?", Bobby indaga, com um sorriso confiante. E acrescenta: "Vou me manter fiel aos meus princípios, que deram certo ao longo de minha carreira pelas ruas de Londres. Confio no poder do exemplo, da palavra e da argumentação. Tanto é verdade que irei para o Brasil sem levar qualquer tipo de arma",explica Bobby Joe.