Professor diz que cinema
merece zero em história

Por Ramiro Kibitser

O professor Kemel Seichel, da Universidade Mouch Toub, na Turquia, especialista em história e também estudioso de cinema, diz que os filmes estão causando danos irreparáveis não apenas a seus alunos mas também a todos as pessoas nos quatro cantos do mundo.

Seichel, que está no Brasil para um congresso internacional de historiadores, afirma que isso é conseqüência da deturpação, ignorância ou mesmo má fé dos que ele chama de "mercadores de filmes". Embora façam diversões de agrado geral, só pensam em lucros e não têm o menor respeito pela verdadeira história, de acordo com o especialista.

"O resultado", ele afirma, "é toda uma geração de espectadores e alunos seduzidos pelo cinema, mas cada vez mais desinformados em matéria da história que conhecemos", garante Seichel. Como exemplo, cita a recente superprodução búlgara "Tin Mour" (Histórias do Meu Passado), "que chega ao extremo de situar o Canal de Suez na Costa do Marfim!" E no filme polonês Woda Do Ust"(A Rebelde Arrependida), Calígula foge com os filhos de um incêndio em sua casa na Ilha de Malta! E faz um lembrete: "Não se tratavam de comédias ou sátiras, eram dramas sérios mesmo. Ou melhor, de sérios não tinham nada, com tantos absurdos".

Moisés e Ramsés

De acordo com Seichel, a maior parte da produção mundial cinematográfica não tem o menor respeito pelos fatos históricos." Hollywood, então, é um desastre", ele garante. "Outro dia assisti a uma comédia, chamada "Ben Franklin Não Dormiu Aqui", em que George Washington é visto lutando na Guerra Civil!" O professor diz que essas tolices acontecem há décadas, mas agora as coisas estão piorando. O motivo é a grande quantidade de filmes produzidos e a falta de tempo ou descuido com a fidelidade aos fatos históricos. E a coisa é antiga, segundo ele.A propósito, o professor lembra uma velha piada de Hollywood sobre um dos filmes pretensamente históricos do falecido Cecil B. DeMille: "Contra a vontade, DeMille foi forçado a tirar Moisés da corte de Ramsés".

Decepcionado e às vezes mostrando indignação, Seichel diz que poderia citar pelos menos 50 filmes recentes em que a História é inteiramente deturpada. Entre indignado e irônico, ele pergunta: "O que virá a seguir? Ninguém sabe. Talvez Napoleão cruzando o Tâmisa pela Ponte de Waterloo. Ou Richard Nixon fazendo trapaças na Grécia Antiga. Ou Hitler, incógnito, se divertindo na Disneyworld. Com essa gente, tudo é possível".